França/Alemanha

Le Monde publica pesquisa polêmica sobre muçulmanos

"Islã e integração: a constatação do fracasso franco-alemão” diz artigo do jornal francês Le Monde.
"Islã e integração: a constatação do fracasso franco-alemão” diz artigo do jornal francês Le Monde. AFP / John D McHugh

Uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública para o jornal francês Le Monde sobre a percepção dos muçulmanos na França e na Alemanha está causando grande polêmica. Os resultados indicam que pelo menos 40% dos franceses e alemães consideram certos princípios da religião muçulmana como uma ameaça à identidade nacional dos dois países.

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A rejeição aos valores ocidentais, o fanatismo, a submissão e a violência. Estes são os aspectos dos muçulmanos considerados negativos pelos franceses e alemães consultados. Os resultados idênticos, em  países de história, fluxo migratório e modelos de integração diferentes, impressionam os pesquisadores.

Na França e na Alemanha, mais de 68% dos entrevistados acham que os muçulmanos não se integraram porque se recusam a fazê-lo ou por causa das grandes diferenças culturais.

O sentimento de hostilidade contra os muçulmanos mudou nos últimos 20 anos. Passou do slogan político martelado pela extrema direita francesa, que identificava os três milhões de imigrantes aos três milhões de desempregados no país, a um discurso sobre a ameaça que eles representam para a identidade cultural de sociedades de tradição cristã, segundo o instituto que realizou a pesquisa.

A instalação duradoura dos imigrantes muçulmanos e a visibilidade crescente do Islã nos países europeus explicam, em parte, essa evolução. O debate sobre a presença do Islã nos dois países é persistente e polêmico.

Campanhas e debates

No ano passado, a França lançou uma campanha sobre a identidade nacional e adotou uma lei proibindo o uso da burka - o véu islâmico integral. Recentemente, o partido da extema direita Frente Nacional, que passou a defender a laicidade no país, comparou a oração dos muçulmanos nas ruas de um bairro da Paris à ocupação nazista.

Na Alemanha, nos últimos meses, houve um violento debate sobre a integração dos estrangeiros, em particular dos muçulmanos, levando a chanceler Angela Merkel a reconhecer o fracasso no modelo de coabitaçao multicultural no país.

Entre  5 e 6 milhões de muçulmanos vivem na França, a maior comunidade da Europa. Na Alemanha, a comunidade muçulmana é formada por 4 milhões de pessoas.
 

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