Europa/ovos contaminados

Alemães confirmam a existência de galinhas contaminadas com dioxina

Após testes realizados em galinhas na Alemanha, autoridades constataram altos níveis de dioxina.
Após testes realizados em galinhas na Alemanha, autoridades constataram altos níveis de dioxina. Reuters

Pela primeira vez desde o início do escândalo da contaminação de ração animal por dioxina na Alemanha, as autoridades do país confirmaram neste sábado a presença de altos níveis da substância em galinhas. Depois do Reino Unido, Coreia do Sul, Rússia e Eslováquia anunciaram restrições à importação de carne alemã.

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Reportagem de Márcio Damasceno, correspondente na Alemanha

A confirmação da presença de índices elevados de dioxina em galinhas foi feita neste sábado em Berlim pelo porta-voz do Ministério alemão da Agricultura. Segundo uma reportagem publicada no semanário alemão Focus, amostras de gordura de três galinhas utilizadas na produção de ovos tinham mais que o dobro do limite de dioxina – uma substância cancerígena – permitido pela legislação.

De acordo com o porta-voz do ministério, a carne dos animais afetados não chegou ao comércio. Ele garantiu também que os ovos da granja foram retirados do mercado e que os resultados de testes iniciais em carnes de frango, porco e peru destinados ao consumo acusaram um nível de dioxina abaixo do limite legal. O Instituto Federal de Avaliação de Risco da Alemanha afirmou que até o momento, não há riscos para a saúde dos consumidores.

Os governos de alguns países começam a tomar precauções diante do caso. A Coreia do Sul decidiu suspender importações de carne de porco e produtos avícolas da Alemanha. Supermercados no Reino Unido também tiraram das prateleiras produtos contendo ovos vindos do país e a Rússia pediu a realização de controles mais rigorosos sobre a carne alemã.

O escândalo de contaminação de rações de animais de criadouros já vem preocupando governo e cidadãos alemães há mais de uma semana. Cerca de 4,7 mil estabelecimentos agrícolas estão interditados no país, com suspeita de que essas unidades tenham alimentado os animais com ração contaminada. O pivô do escândalo é uma empresa produtora de óleos para produção de ração animal. A firma é acusada ter vendido óleos industriais no lugar de óleos alimentícios à produtoras de ração animal. O ministério alemão da Agricultura já fala de uma possível contaminação criminosa.

Outros casos no passado

Essa não é a primeira vez que a Europa vive escândalos alimentares ligados à substância cancerígenas usadas em doses elevadas. Em janeiro de 2006 as autoridades sanitárias belgas constataram que o índice de dioxina presente na gordura de porco vendida para uma empresa holandesa de alimentação de animais era bem superior ao permitido pela lei. Na época, mais de 400 fazendas tiveram que ser colocadas em quarentena.

Na Itália, em 2008, cerca de 100 criações de búfalos foram interditadas após a descoberta de queijo produzido com leite contendo níveis elevados de dioxina. As autoridades italianas preferiram manter os produtos do mercado, até que a União Europeia pedisse a retirada dos queijos suspeitos das prateleiras. No mesmo ano as autoridades da Irlanda também anunciaram a descoberta de contaminação de alimentos produzidos à base de porco. O episódio provocou a devolução de carregamentos inteiros de carne suína na Europa e resultou na demissão de cerca de 2 mil empregados do setor no país.
 

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