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Países da zona euro pressionam Portugal para aceitar ajuda da União Europeia

O premiê português José Socrates.
O premiê português José Socrates. Reuters

Alguns países da zona euro, como França e Portugal, estariam pressionando Portugal para aceitar um plano de ajuda financeira financiado pelos europeus, diante da crise que ameaça o país. O objetivo é evitar o contágio de outras economias do bloco. É o caso da Grécia e a Irlanda, que já recorreram à União Europeia e o FMI.

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Os responsáveis da zona euro temem que o governo português não consiga pagar até fevereiro as parcelas do refinanciamento da dívida emitida no mercado internacional. Os juros da dívida pública portuguesa já chegam a 7% para empréstimos a dez anos, um índice recorde. A chanceler alemã, Angela Merkel, desmentiu neste domingo que a Alemanha estaria pressionando o governo português. "Não faz parte da nossa estratégia obrigar Portugal a aceitar a ajuda europeia", disse a chanceler. A Comissão Europeia também desmente que a questão esteja sendo analisada em Bruxelas.

Em entrevista ao jornal Le Monde, um responsável da União Europeia apontou alguns problemas internos que podem dificultar a retomada da economia portuguesa sem intervenção do bloco: o primeiro-ministro José Sócrates não possui a maioria no Parlamento, e o governo também não implantou reformas estruturais para tirar o país da crise, caso da Espanha, que também está em dificuldade financeira. O plano de austeridade, que prevê cortes de vagas e salários e aumento de impostos, foi adotado graças à abstenção do principal partido de oposição, o conservador PSD, que pede a demissão do primeiro-ministro caso o país utilize os recursos disponibilizados pelos europeus.

Sócrates insiste que seu país é capaz de equilibrar as finanças, defendendo que o déficit público do país passou de 9,4% do PIB em 2009 para 7,3% em 2010. A previsão é que, em 2011, ele atinja 4,6% . A dívida pública do país é de 88,9% do PIB. Para evitar recorrer ao mecanismo de ajuda aos países europeus, aprovado no fim do ano pelos ministros das finanças da zona euro, o premiê pediu o apoio da China que prometeu comprar títulos emitidos pelo Tesouro.

 

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