Finanças/Leilão

Portugal passa em teste ao vender 1,25 bilhão de euros em títulos

O ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.
O ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos. Reuters

Para o ministro português das Finanças, a emissão da dívida pública nesta quarta-feira foi um sucesso e afasta ajuda financeira internacional para lutar contra a crise do país. O leilão teve procura três vezes maior do que oferta.

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Colaboração da correspondente da RFI em Portugal, Adriana Niemeyer.

Portugal acaba de passar em seu primeiro teste de fogo quanto à sua capacidade de resistir à crise e medir o sentimento dos mercados. O país conseguiu emitir em leilão 1,25 bilhão de euros, cerca de 2,9 bilhões de reais, em títulos da dívida, com vencimentos de cinco a dez anos.

Até agora, Portugal vinha resistindo às pressões para aceitar ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Fundo de Ajuda Europeu, como foi o caso da Grécia e da Irlanda.

"O leilão desta quarta-feira dos títulos da dívida portuguesa, através da emissão de Obrigações do Tesouro (OT), foi um verdadeiro sucesso", afirmou o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.

A procura dos títulos correspondeu ao triplo da oferta, o que se traduz, segundo o ministro, "em um nível superior à média de 2010 e dos anos anteriores". Foi registrada uma forte presença de investidores estrangeiros, que, neste leilão, chegou a 80% dos interessados.

A taxa de juros para as obrigações a 10 anos foi de 6,7%, inferior à da emissão anterior de títulos. Na semana passada, Portugal conseguiu vender 500 milhões de euros em dívida pública, a seis meses, com um juro médio de 3,6%.

Ministro português cita países interessados nos papéis

Teixeira dos Santos destacou ainda que a estratégia de diversificação da base de investidores será reforçada este ano.

"Quando falamos de diversificação, não excluímos regiões. Temos a Ásia, onde a China tem um grande peso, e também o Oriente Médio e o continente americano", disse o ministro, referindo-se aos principais interessados nos papéis.

Na conclusão, o ministro descartou a necessidade de recorrer a uma ajuda externa e foi ainda mais longe:

"Portugal está fazendo o seu trabalho, enfrentando e resolvendo seus desequilíbrios econômicos e financeiros. A Europa é que não está fazendo o seu trabalho para defender a estabilidade do euro".
 

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