Portugal/Crise

Venda de títulos da dívida portuguesa supera expectativa dos mercados

O socialista José Sócrates vai concorrer à sua própria reeleição nas legislativas antecipadas de Portugal, marcadas para 5 de junho.
O socialista José Sócrates vai concorrer à sua própria reeleição nas legislativas antecipadas de Portugal, marcadas para 5 de junho. Reuters
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Portugal conseguiu realizar nesta sexta-feira uma operação de refinanciamento da dívida do país, levantando nos mercados um montante de 1,645 bilhão de euros com vencimento em um ano e taxa de juros de 5,793%, valor inferior às previsões do mercado.

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A operação extraordinária de venda de títulos do governo português tinha o objetivo inicial de arrecadar 1,5 bilhão de euros. A transação se revelou mais positiva do que previam os analistas, que antecipavam taxas de juros próximas de 6,4%. O governo português conseguiu captar 1,645 bilhão de euros com uma taxa de juros de 5,793%, portanto inferior aos 5,905% pagos na emissão realizada em 9 de março.

A diferença entre as duas operações é que na venda anterior, o vencimento das obrigações foi fixado em setembro de 2013 e, na transação desta sexta-feira, Portugal obteve apenas um ano para reembolsar os credores. Segundo o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), o interesse pelos títulos da dívida portuguesa foi 1,4 vezes superior à oferta, contra 1,6% na venda do mês de março. 

Portugal está sendo pressionado a pedir ajuda financeira ao FMI e à União Europeia para cobrir o enorme rombo das contas públicas. O déficit português em 2010 foi maior que o previsto, 8,6 % do PIB. Ontem, a taxa de juros dos empréstimos do país em 10 anos bateu novo recorde, 8,3%.

Portugal deve ainda reembolsar 9 bilhões de euros de sua dívida até a metade de junho. Analistas assinalam que o governo português conseguiu ganhar tempo com o refinanciamento de hoje, mas antecipam uma operação bem mais complicada no mês de junho.

Contexto é de crise financeira e política

O ministro da Economia, Fernando Teixeira dos Santos, descartou ontem um sério risco de bancarrota do país. Mas a situação é grave, alertou ontem o presidente Aníbal Cavaco Silva. Ele anunciou na noite desta quinta-feira a realização de eleições legislativas antecipadas, no dia 5 de junho, após o pedido de demissão do primeiro-ministro José Sócrates. Reeleito no último final de semana como presidente do Partido Socialista, Sócrates anunciou que será candidato. Mas as pesquisas dão como favorito o líder da oposição de centro-direita, Pedro Passos Coelho.

Apesar desse contexto de crise, o IGCP anunciou nessa quinta-feira a intenção de refinanciar, ainda no mês de abril, 7 bilhões de euros a curto prazo. Uma nova operação de venda de títulos do Tesouro português de um montante de 750 milhões a 1 bilhão de euros está prevista para acontecer na próxima quarta-feira. 

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