Bactéria/Europa

Restaurante é nova pista na propagação da bactéria letal, diz jornal

Os agricultores europeus acumulam perdas com a epidemia provocada pela bactéria letal.
Os agricultores europeus acumulam perdas com a epidemia provocada pela bactéria letal. REUTERS/Alexander Demianchuk

Pelo menos 17 pessoas contraíram a E. Coli depois de comer em um restaurante de Lübeck, no norte da Alemanha. A intoxicação em massa poderia ajudar as autoridades a descobrir a origem da bactéria que já matou 19 pessoas. Outras 199 pessoas foram diagnosticadas com a doença nos últimos dois dias, mas a epidemia entrou numa fase de estabilização, segundo as autoridades europeias.

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O microbiologista do Centro Médico de Shleswig-Holstein, Werner Solbach, afirma que o restaurante não é o responsável pela epidemia, mas uma reconstituição da cadeia logística dos alimentos poderá esclarecer como aconteceu a propagação da bactéria. A origem do micróbio que contaminou oficialmente pelo menos 1700 pessoas em doze países, inclusive a França, continua uma incógnita para os europeus.

Segundo o jornal alemão Lübecker Nachrichten, entre as 17 pessoas intoxicadas no estabelecimento estão um grupo de turistas dinamarqueses e responsáveis alemães da Receita Federal. Os funcionários alemães participavam de uma reunião sindical e almoçaram no restaurante no dia 13 de maio. Uma mulher do grupo morreu depois de contrair a bactéria. Ainda de acordo com o jornal, todos os clientes do restaurante foram contaminados entre os dias 12 e 14 de maio. As autoridades alemãs, entretanto, não confirmam a hipótese lançada pelo jornal alemão.

A maioria das vítimas diagnosticadas até agora vivem no norte da Alemanha ou estiveram recentemente no país, durante o período de incubação, que pode durar de três a quatro dias, e não duas semanas como se pensou inicialmente. Até agora, foram registradas contaminações na República Tcheca, Dinamarca, França, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

A bactéria letal, uma variante agressiva da E.Coli, foi descoberta na Alemanha em maio, e produz sintomas que podem variar da diarréia simples a uma hemorragia interna, acarretando a morte. O micróbio é resistente a todos antibióticos disponíveis no mercado, o que dificulta o tratamento. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a bactéria é  conhecida dos cientistas, mas nunca foi observada durante uma epidemia.

O governo alemão continua desaconselhando o consumo de legumes e frutas no norte do país, mas as autoridades sanitárias europeias tentaram, nos últimos dias, tranquilizar os consumidores. Segundo as agências de saúde do continente, medidas simples, como lavar bem os produtos e em seguida as mãos antes de preparar as refeições, pode evitar a transmissão da doença.

Prejuízo

Nesta sexta-feira, a chanceler alemã Angela Merkel conversou com o chefe de governo espanhol, José Luiz Zapatero, sobre o impacto da crise na agricultura do país, que registra perdas de 200 milhões de euros por semana. Os pepinos espanhóis foram apontados como os responsáveis pela disseminação da bactéria no início da crise. Em entrevista à rádio francesa Europe 1, o embaixador da Alemanha na França, Reinhard Schäfers, disse que o país não é obrigado a indenizar os produtores de legumes da Espanha. Ele ressaltou que  "a epidemia que o país enfrenta é mais grave do que os prejuízos dos produtores." Segundo ele, as consequências para a agricultura na Alemanha também são graves.

 

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