Portugal/Eleições

Partido de Centro Direita vence legislativas em Portugal

O líder do PDS, Pedro Passos Coelho, votou na manhã deste domingo em Amadora, nos arredores de Lisboa.
O líder do PDS, Pedro Passos Coelho, votou na manhã deste domingo em Amadora, nos arredores de Lisboa. Foto: Reuters

Cerca de 9,6 milhões de eleitores portugueses foram às urnas neste domingo escolher os representantes do parlamento. Resultados parciais apontam o PSD, de centro direita, como o grande vencedor das eleições, com 38,7% dos votos. O líder do partido Pedro Passos Coelho deve suceder o primeiro-ministro José Sócrates.

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De acordo com os resultados oficiais, de 80% das circunscrições, os partidos de direita teriam obtido 51% dos votos. O PSD, apontado como favorito, recebeu 38,7% dos votos e o partido socialista, do premiê José Sócrates, 28,5%. O partido minoritário CDS-PP, que já participou de diversas coalizões governamentais, sai fortalecido, e recebeu 10,9% dos votos. A coalizão CDU, de esquerda, teve 7,2% % e o bloco de extrema esquerda, 4,5%. A taxa de abstenção, de 41%, supera a das eleições anteriores, em 2009, de 40,3%.

As eleições legislativas devem renovar as 230 cadeiras do parlamento, dissolvido no final de março após o pedido de demissão do primeiro-ministro José Sócrates que não conseguiu aprovar um plano de rigor para atender as exigências do Fundo Monetário Internacional e a União Europeia.

O cenário mais provável, segundo analistas políticos, é uma coalizão nacional com os liberais democratas do CDS-PP, de direita, liderado por Paulo Portas que devem somar entre 9,7 e 11% dos votos.

A grande incógnita deste escrutínio é a votação dos indecisos que somam quase um terço do eleitorado.

Diferentemente da Irlanda e da Grécia, em Portugal os principais partidos se comprometeram a respeitar as condições do empréstimo de 78 bilhões de euros oferecidos pelo FMI e a União Européia em troca de um rígido programa de austeridade nas contas públicas e de reformas.

Líder do PSD, Passos Coelho prometeu, em caso de vitória, ir "além" das exigências ao país, especialmente em relação à privatizações e também ao mercado de trabalho, serviços públicos e política sociais.

O líder conservador acusou o primeiro-ministro socialista José Sócrates de ter mentido aos portugueses sobre o estado real das finanças do país e acusou os socialistas de ter levado Portugal à “bancarrota”. Apo ter votado na manhã deste domingo, Passos Coelho alertou que os próximos anos vão ser “difíceis”, mas, segundo ele, “Portugal atingirá a prosperidade daqui a dois ou três anos”.

Já José Sócrates denuncia que a oposição quer destruir o “estado do bem estar social português” e promete não deixar nenhum cidadão desamparado pelo governo.

Pessimismo

Em recente sondagem publicada pelo jornal português Diário Econômico, 61% dos portugueses acreditam que a situação do país estará “pior” dentro de um ano.

Independentemente do partido que estiver no comando do governo, ele deverá aplicar as duras medidas de austeridade em troca do pacote de ajuda para os próximos 3 anos que prevêem grandes sacrifícios como a alta dos impostos, cortes no orçamento e reformar para reforçar a competitividade do país.

Com uma taxa de desemprego recorde de 12,4% e uma situação de profunda recessão, os portugueses não terão muitas ilusões na hora de depositar o voto nas urnas.

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