Bactéria/ união europeia

UE vai liberar 150 milhões de euros a produtores prejudicados por surto de bactéria

O eurodeputado espanhol Francisco Sosa Wagner, durante a reunião no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para discutir a crise sanitária provocada pela variante agressiva da bactéria Echerichia Coli.
O eurodeputado espanhol Francisco Sosa Wagner, durante a reunião no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para discutir a crise sanitária provocada pela variante agressiva da bactéria Echerichia Coli. Reuters

A Comissão Europeia vai liberar 150 milhões de euros (346 milhões de reais) em ajudas financeiras para os produtores de legumes e frutas da União Européia, prejudicados com a queda nas vendas dos produtos desde o início da epidemia pela bactéria E.Coli. Os agricultores da França e da Espanha consideraram a ajuda insuficiente. O número de mortos pela epidemia na Europa subiu para 25.

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O comissário para a Agricultura, Dacian Ciolos, explicou a jornalistas, em Luxemburgo, que o valor da ajuda financeira que cada país vai receber vai depender de uma estimação das perdas, considerando-se o período de final de maio a final de junho.

Nesta terça-feira, a morte de duas idosas elevou para 25 o número de mortos pela epidemia na Europa – 24 apenas na Alemanha e uma na Suécia. Milhares de outras pessoas estão doentes pela infecção da bactéria, cuja origem ainda é desconhecida e é uma variante raríssima da Echerichia Coli enterohemorrágica. A infecção provoca diarreias hemorrágicas e, nos casos mais graves, complicações renais que podem ser mortais. Entre os infectados, 700 encontram-se em estado preocupante.

Protesto no Parlamento europeu

A Comissão Européia ainda criticou a Alemanha por ter lançado alertas contra certos alimentos suspeitos de estarem transmitindo a doença, como o pepino e o tomate, e ter decretado a proibição do consumo destes produtos sem a certeza de que eram os vetores da bactéria. As medidas provocaram uma queda brusca das vendas de legumes, especialmente os provenientes da Espanha, acusada no início como a origem do problema. O deputado europeu espanhol Francisco Sosa Wagner reclamou da estigmatização do pepino espanhol por parte dos alemães durante seu discurso no Parlamento, com um legume nas mãos.

“É crucial que as autoridades nacionais não se apressem a dar alertas não provados, porque isso cria psicoses e problemas”, disse o comissário para a Saúde, John Dalli, durante uma cessão do Parlamento europeu, em Estrasburgo. “É importante de apenas emitirem alertas quando estamos certos dos dados científicos”, afirmou.

Dalli declarou que “a epidemia está limitada a Hamburgo”, no norte da Alemanha, e insistiu que “não há nenhuma razão para tomar medidas em nível europeu, especialmente a proibição de todos os produtos”. A eurodeputada alemã Rebecca Harms, por sua vez, reclamou da incapacidade dos alemães em determinar as responsabilidades para evitar a propagação da epidemia.

A bactéria já atingiu 13 países europeus e há suspeitas de que já tenha chegado aos Estados Unidos e no Canadá.
 

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