Grécia/ crise

Protestos na Grécia levam a mudanças no gabinete

Confrontos entre manifestantes e policiais gregos nesta quarta-feira, dia de greve geral no país.
Confrontos entre manifestantes e policiais gregos nesta quarta-feira, dia de greve geral no país. Reuters

Diante da forte reação popular contra o plano de austeridade adotado pela Grécia, o premiê Georges Papandreou vai anunciar na quinta um remanejamento do gabinete.  Sete pessoas ficaram feridas em confrontos em Atenas, durante manifestação. 

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Em pronunciamento pela TV,  nesta quarta-feira à noite, Papandreou anunciou que vai pedir um voto de confiança ao novo governo. Ele defendeu o plano de resgate do FMI e do bloco europeu, dizendo ser "o caminho do dever, do governo e do povo grego". Horas antes, logo após os tumultos, ele propôs se demitir, para facilitar a formação de um governo de união nacional que sustente o plano de resgate financeiro elaborado pela União Europeia e o FMI.

A terceira greve geral do ano na Grécia provocou tumultos na capital, Atenas, que resultaram em ferimentos em sete pessoas, uma delas um policial. A confusão ocorreu entre um grupo de cerca de 200 jovens e a polícia. Desde ontem, milhares de manifestantes ocupam a praça Syntagma, em frente ao Parlamento, para protestar contra as medidas de austeridade econômica que o governo grego pretende adotar.

O grupo de jovens teria iniciado o tumulto, jogando coqueteis molotov, pedras e outros objetos contra os policiais que faziam um cordão de isolamento entre a multidão e o Parlamento, onde os deputados começam a analisar o projeto de lei plurianual que pretende impor uma série de medidas de corte de custos.

O Ministério das Finanças também foi visado. A polícia usou gás lacrimogêneo para acalmar a tensão. Dezenas de pessoas deixaram o local após a dispersão do gás.

O tumulto durou cerca de uma hora, no início da tarde desta quarta-feira (horário local). Os outros manifestantes pediam que o protesto continuasse pacífico e faziam barulho com panelas, apitos e assobios. De acordo com as autoridades, cerca de 20 mil gregos foram às ruas de Atenas para protestar hoje, respondendo ao apelo dos principais sindicatos do país. A imprensa grega afirma que o número de adesões foi o dobro, 40 mil. A paralisação afetou o funcionamento dos serviços públicos e dos transportes marítimo e urbano.

Os manifestantes tentaram fazer uma corrente humana em torno do Parlamento, mas foram impedidos pela polícia. Também houve protestos em Salônica, no norte do país, dos quais 20 mil pessoas teriam participado.

O projeto do governo faz parte de um plano orçamentário a médio prazo (2012-2015) e foi orientado pelo credores do país, a União Européia e o Fundo Monetário Internacional. Um novo plano de salvamento da economia grega, que permanece em situação crítica, está sendo discutido no âmbito destas instituições.

Apesar da onda de protestos, o primeiro-ministro socialista grego, George Papandreou, se mostrou determinado a aprovar o projeto de austeridade. “Vamos assumir nossas responsabilidades, continuar avançando e tomar as medidas necessárias para tirar o país da crise”, afirmou Papandreou.

O premiê disse que vai continuar tentando um consenso com a oposição, uma das exigências dos credores. As principais medidas envolvem privatizações massivas e economia de 28,4 bilhões de euros até 2015. O pagamento da quinta parcela do empréstimo de 110 bilhões de euros, concedido em 2010 pelo FMI ao país, depende da aprovação do projeto.

 

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