Crise/Zona Euro

Euro sobe com acordo entre Sarkozy e Merkel sobre a Grécia

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, nesta sexta-feira, em Berlim.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, nesta sexta-feira, em Berlim. Reuters

Após uma reunião nesta sexta-feira, em Berlim, a chanceler Angela Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, definiram as bases para dar um novo impulso às negociações de um segundo plano de ajuda financeira à Grécia. Sarkozy e Merkel concordaram que a participação dos credores privados só será feita de maneira voluntária e sempre de acordo com o Banco Central Europeu.

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Segundo Sarkozy, França e Alemanha "compartilham a mesma posição e juntas vão defender com todas as forças a moeda euro". A declaração teve o impacto desejado, já que a moeda única europeia, em queda vertiginosa nas últimas semanas, voltou a se valorizar nos mercados internacionais. O euro terminou a semana sendo negociado na bolsa de Paris a US$ 1,4322, contra US$ 1,4209 na véspera.

As principais praças financeiras europeias também reagiram positivamente. Em Paris o CAC 40 terminou o dia em alta de 0,23%, enquanto em Londres o Footsie-100 fechou o pregão em progressão de 0,28%, e em Frankfurt o pregão ganhou 0,76%. As bolsas de Milão, de Lisboa e de Madri foram as que fecharam a semana com valores mais elevados, com altas de 1,23%, 1,46% e 2,18%, respectivamente.

No encontro em Berlim, o presidente francês tinha como missão convencer o governo alemão a ser mais flexível em sua postura de exigir uma maior participação dos credores privados na solução da crise da dívida grega. Paris, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu são contra a proposta alemã por temer um risco de contágio em toda a zona euro, caso o sistema bancário seja obrigado a absorver a dívida grega. A Alemanha, por outro lado, se nega a assumir as consequências da má gestão das finanças públicas na Grécia, concedendo novos empréstimos que depois terão de ser pagos pelos contribuintes alemães.

Sarkozy e Merkel concordaram que a participação dos credores privados só será feita de maneira voluntária e sempre de acordo com o Banco Central Europeu. Essa precaução deve evitar que as agências de notação financeira e o mercado interpretem a operação de troca de títulos públicos por títulos privados como um calote grego. Os dois dirigentes exigem uma saída de crise rápida. "Quanto mais cedo encontrarmos uma solução, melhor será", insistiu a chanceler alemã.

Uma data para definir o novo pacote de ajuda à Grécia não foi definida. Os europeus adiaram para meados de julho o anúncio do novo plano, que deve ajudar Atenas a sair de seu caos financeiro.

Espiral da dívida

No ano passado, os europeus e o FMI concederam 110 bilhões de euros de ajuda à Grécia, mas o déficit público do país não recuou, chegando a 10,5% do PIB. Com a pressão dos especuladores, que passaram a cobrar juros cada vez mais elevados no refinanciamento dos empréstimos, a dívida pública da Grécia atingiu 150% do PIB. A recessão piora a cada dia e o desemprego já afeta 16% da população.

Por causa da grave crise econômica, política e social, o primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, anunciou mudanças no seu gabinete para acalmar as tensões internas e de seu próprio partido, o PASOK, que é contra as medidas de austeridade exigidas pela União Europeia e o FMI para evitar a falência do país. 

Como previsto, o ministro grego das Finanças, Georges Papaconstantinou, no cargo desde 2009 e principal arquiteto do plano de austeridade, deixou a pasta e foi deslocado para o Ministério do Meio Ambiente. Em seu lugar assume o ministro da Defesa, Evangelos Venizelos, que terá a difícil missão de levar adiante o impopular pacote de reformas em tramitação no parlamento.

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