Grécia/Crise

Grécia: Premiê pede "acordo nacional" e zona euro debate nova ajuda

O primeiro-ministro grego George Papandreou na tribuna do Parlamento grego, neste domingo.
O primeiro-ministro grego George Papandreou na tribuna do Parlamento grego, neste domingo.

O desabafo desesperado do primeiro-ministro George Papandreou diante do Parlamento do país reflete a situação crítica da Grécia: "Estamos em um ponto crucial", alertou, pedindo apoio ao novo gabinete e aos cortes drásticos dos gastos públicos. Em Luxemburgo, os ministros das Finanças da zona euro começaram a analisar um novo pacote de ajuda ao país.

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Dirigindo-se ao Parlamento grego, neste domingo, o primeiro-ministro George Papandreou pediu a todos os partidos políticos do país um "acordo nacional" para a crise ser superada, além de apoio ao novo gabinete e ao recém-nomeado ministro das Finanças, Evangelos Venizelos. O premiê necessita do respaldo parlamentar para avançar o plano de austeridade, rejeitado pela oposição, insistindo que é a única forma de se assegurar o financiamento suplementar necessário para evitar a bancarrota.

A oposição não se sensibilizou com o apelo e se nega a apoiar os cortes dos gastos públicos propostos pelo governo. Os deputados não concordam que o povo grego se sacrifique.

Na terça-feira que vem, o Parlamento grego vota uma moção de desconfiança contra o novo gabinete do governo.

Ministros da zona euro discutem nova ajuda

Em Luxemburgo, começou hoje a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, dominada pela crise grega. Entre as alternativas debatidas, estão um novo pacote de ajuda, assim como um empréstimo de US$110 bilhões que já tinha sido aprovado em 2010. Os ministros também devem decidir se repassam ao país a quinta parcela do pacote, de um montante de 12 bilhões de euros.

Ao chegar à reunião, o novo ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, afirmou que serão cumpridas as promessas de austeridade e de redução do déficit público.

O presidente do Eurogrupo, Jean -Claude Juncker, alertou que uma eventual falência da Grécia pode derrubar Portugal e afetar gravemente outros países europeus como Irlanda, Bélgica, Itália e Espanha.

Juncker também defende um outro tipo de ajuda, e não empréstimos, para que a Grécia saia da situação em que se encontra. Para ele, o país deveria ser beneficiado por uma ajuda financeira suplementar vinda do orçamento da União Europeia.

No sábado, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy chegaram a um acordo para ajudar a Grécia, dando sinal verde para a participação de investidores privados, mas numa base exclusivamente voluntária.

Protestos

Pelo quarto domingo consecutivo, o povo grego saiu às ruas para gritar sua indignação com o plano de austeridade do governo.
Milhares de  pessoas se concentraram diante do parlamento de Atenas, erguendo bandeiras do país e gritando "ladrões".

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