Síria/Crise

Presidente sírio pede diálogo nacional para acabar com protestos

O presidente sírio, Bashar al-Assad, pediu o diálogo nacional em seu discurso na tevê nesta segunda-feira.
O presidente sírio, Bashar al-Assad, pediu o diálogo nacional em seu discurso na tevê nesta segunda-feira. REUTERS/Syrian TV via Reuters TV

Em discurso pronunciado nesta segunda-feira pela TV, o presidente sírio Bashar al-Assad pediu um diálogo nacional para acabar com o movimento de contestação a seu regime. O discurso não influenciou os ministros das Relações Exteriores da União Europeia que, reunidos em Luxemburgo, preparam novas sanções contra o regime de Bashar al-Assad.

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Em discurso transmitido ao vivo pela tevê estatal, o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse na manhã desta segunda-feira que a economia da Síria está ameaçada pelo movimento de contestação. Ele afirmou que não existe solução política para os que travam a luta armada no país. Falando na universidade de Damasco, o ditador sírio voltou a evocar a tese do complô ocidental contra seu país, garantindo que grupos armados se infiltraram entre os manifestantes e que não é possível fazer reformas em meio ao caos e atos de sabotagem.

Contestado por uma forte rebelião popular, que pede sua renúncia e reformas democráticas, o presidente sírio pediu o diálogo nacional para superar a crise e anunciou a realização de eleições legislativas em agosto. Assad determinou a criação de uma comissão para elaborar propostas de reforma constitucional, mas as medidas só serão apresentadas à população em setembro pelo calendário oficial.

Sobre a fuga em massa de moradores da região próxima da fronteira com a Turquia, assustados com a violência das forças de segurança, o ditador sírio fez um apelo para que os 10 mil refugiados que foram para a Turquia retornem ao país, assinalando que eles não seriam punidos. Este foi o terceiro discurso de Bashar al-Assad desde o início do movimento de contestação contra seu regime, em 15 de março.

Novas sanções europeias

Reunidos em Luxemburgo, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia preparam uma nova rodada de sanções contra o regime sírio. As medidas devem ser adotadas até o final da semana. Até agora, o bloco impôs duas rodadas de sanções congelando bens e proibindo a concessão de vistos a 23 personalidades do regime sírio, incluindo o presidente Bashar al-Assad. Com as novas sanções, outras personalidades e empresas sírias seriam adicionadas a esta lista.

A declaração que deve ser divulgada no final do encontro em Luxemburgo afirma que a “credibilidade do presidente sírio” vai depender da implementação das reformas prometidas por ele. O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, disse que Bashar al-Assad ou promove reformas democráticas na Síria ou deve renunciar.

Alguns chanceleres da União Europeia insistem para a que o Conselho de Segurança da ONU siga o exemplo europeu e adote também sanções contra a Síria. “O silêncio do Conselho de Segurança pode ser interpretado como uma tolerância à repressão do regime sírio e isso é inaceitável”, ressaltou o chefe da diplomacia sueca, Carl Bildt.
 

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