Rússia/Energia nuclear

Centrais nucleares russas tem 32 falhas de segurança, diz relatório

A usina nuclear russa de Kalininskaya.
A usina nuclear russa de Kalininskaya. Reuters

As onze centrais nucleares da Rússia apresentam uma extrema vulnerabilidade e não possuem um sistema seguro contra terremotos, indica um relatório da agência russa de energia nuclear que foi vazado para a imprensa nesta quinta-feira.

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O documento, que tinha sido apresentado em segredo ao presidente russo, Dmitri Medvedev, no dia 9 de junho, foi divulgado pela ONG norueguesa Bellona, engajada em assuntos de segurança nuclear. Nele, são apontadas 32 falhas de gravidade importante em termos de segurança, como deficiências de controle, manutenção e reparação.

As análises foram realizadas pela agência russa de energia nuclear após a catástrofe na usina de Fukushima, causada por um terremoto seguido de tsunami no dia 11 de março deste ano no Japão. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, havia garantido que as usinas da Rússia eram as mais seguras do mundo e nada parecido com o que aconteceu em Fukushima poderia se repetir no seu país.

Mas o novo relatório põe em xeque a credibilidade do discurso do premiê. Segundo o representante da ONG Igor Koudrik, as centrais nucleares russas nunca foram testadas seriamente para se avaliar os riscos do impacto de um terremoto ou de outros fenômenos naturais, como fortes tempestades.

"Em algumas delas, não tem como se saber durante quanto tempo o seu sistema continuaria resfriando os reatores em uma emergência, como foi o caso da central japonesa de Fukushima", disse Koudrik, em entrevista à Agência France Presse.

Usinas russas são da época da União Soviética

O documento informa que algumas centrais russas não possuem um sistema automático de desligamento dos reatores durante um possível terremoto. A maioria foi construída na época da União Soviética e parte do sistema é obsoleto, fora das normas internacionais.

Outro problema apresentado pelo relatório é a falta de preparo das pessoas que trabalham nas usinas para um cenário de crise decorrente de um acidente, como inundações, incêndios, tempestades e terremotos. Inclusive não existem arquivos com informações sobre os incidentes do passado, o que dificulta um trabalho de melhorias.

A maior preocupação da agência é com as centrais de Leningrado e Kola, nas fronteiras com a Finlândia e a Noruega, respectivamente.

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