Europa/Crise

Mais países europeus apresentam planos de austeridade

Reuters

O governo italiano deverá adotar nesta quinta-feira novas medidas de austeridade para economizar cerca de 47 bilhões de euros para alcançar um equilíbrio nas suas contas públicas e dar garantias aos mercados, temerosos de um contágio da crise grega. O governo do primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho também apresenta ao parlamento novas medidas para reduzir o déficit público do país.  

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O Conselho de Ministros da Itália se reúne na tarde desta quinta-feira para aprovar o plano que vai permitir ao governo cumprir seu compromisso com Bruxelas de chegar a um déficit público de 0,2% do PIB em 2014 contra 4,6% em 2010.

Depois de passar pelo Conselho de Ministros, o plano deverá ser discutido e aprovado pelo parlamento. O plano provocou uma grande tensão na maioria de centro-direita já bastante abalada pelas recentes derrotas eleitorais.

Segundo a imprensa italiana, até mesmo o ministro das Finanças Giulio Tremonti teria ameçado apresentar sua demissão diante das críticas, mas voltou atrás após rever algumas medidas criticadas pelos aliados sem mudar a essência do plano.

Esse novo plano de austeridade apresentado pelo governo prevê principalmente um congelamento de salários e de contratações de servidores públicos, cortes de despesas nos orçamentos regionais e no setor da saúde além de reduções de regalias dos ministérios.

A reforma das aposentadorias, já aprovada anteriormente e que prevê um aumento do limite de idade para requerer o benefício será aplicada a partir de 2014, um ano antes do previsto. Também será adotada uma taxa de 0,15% sobre operações financeiras e um aumento dos impostos sobre os lucros de transações nos mercados financeiros.

A maioria das medidas vai ser aplicada entre 2013 e 2014 e deverá contribuir, segundo uma fonte governamental, para o estado economizar mais de 47 bilhões de euros, acima dos 43 bilhões previstos inicialmente.

Com a adoção do plano, o governo italiano pretende dar garantias sobre a situação financeira do estado ao mercado. Com uma das maiores dívidas do mundo, que representa 120% do PIB, a Itália é observada de perto pelos mercados e agências de notação que avaliam a capacidade do país em honrar seus compromissos financeiros.

“Hoje, no meio de uma crise que teve origem com a Grécia , devemos prosseguir (com o rigor). Não temos alternativa”, disse Tremonti.

Diante das medidas de austeridade, uma das principais centrais sindicais do país, a CGIL já anunciou que está pronta para iniciar uma mobilização contra o plano do governo.

Portugal

O governo português apresenta nesta segunda-feira ao parlamento um conjunto de medidas de austeridade mais “ambicioso” do que o plano de ajuda já negociado com o FMI e a União Européia para cumprir com as metas de reduzir o déficit público em 2011. A intenção do governo é de se prevenir contra eventuais riscos externos e internos e restaurar a confiança dos mercados.

A imprensa portuguesa adiantou que o governo deverá propor um “imposto excepcional” sobre os salários este ano e também aumentar o imposto sobre bens e serviços já a partir de julho.

O governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho pretende evitar novos excessos das finanças públicas este ano. Em troca de uma ajuda de 78 bilhões de euros, Lisboa se comprometeu a adotar um plano de austeridade e de reformas para os próximos 3 anos.

As novas medidas de austeridade devem permitir a Portugal, terceiro país da zona do euro a pedir ajuda ao FMI e à União Européia, depois da Grécia e da Irlanda, a reduzir o déficit de 9,1% do PIB em 2010 à 5,9% este ano e à 3% em 2013.
 

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