Massacre/ Srebrenica

Enterro coletivo marca 16 anos do massacre de Srebrenica

Milhares de pessoas chegam a memorial para prestar homenagem às vítimas do genocídio.
Milhares de pessoas chegam a memorial para prestar homenagem às vítimas do genocídio. Reuters / Dado Ruvic

O mundo lembra hoje os 16 anos do genocídio de 8 mil muçulmanos da Bósnia, ocorrido em julho de 1995. Uma cerimônia vai marcar o triste aniversário e os restos mortais de 613 vítimas, encontrados em fossas comuns, serão enterrados. Cerca de 20 mil pessoas participam de homenagens às vítimas daquele que ficou conhecido como o massacre de Srebrenica, na Bósnia.

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Entre os participantes, de seis a oito mil pessoas refizeram a pé o caminho inverso dos muçulmanos bósnios que fugiram dos homens do general Ratko Mladic, apontado como um dos responsáveis pelo massacre, ao lado do chefe político Radovan Karadzic, preso em 2008. Os participantes da caminhada de 110 quilômetros, feita durante três dias e atravessando as colinas da região, reconstituíram o trajeto que seus familiares foram obrigados a fazer para tentar se salvar do genocídio. Eles começaram a chegar ontem no memorial de Potocari, próximo a Srebrenica.

Neste ano, a lembrança do massacre tem uma razão especial, já que Mladic foi preso em maio, na Sérvia, e agora aguarda julgamento na Corte Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPIY, na sigla em inglês), em Haia, por crimes contra a humanidade e genocídio, assim como Karadzic.

Um menino que tinha 11 anos no momento do genocídio é a mais jovem vítima a ser enterrada hoje, enquanto a mais idosa tinha 82 anos. No memorial, repousam 4.524 vítimas da limpeza étnica. Os membros muçulmano e croata do governo bósnio, Bakir Izetbegovic e Zeljko Komsic, e o presidente croata, Ivo Josipovic, participarão da cerimônia.

No total, vinte e uma pessoas respondem no TPIY pelos crimes cometidos durante a guerra em Srebrenica, o pior massacre da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os últimos a serem condenados, em junho de 2010, foram sete altos responsáveis do Exército e da polícia sérvia. Eles deverão cumprir penas de detenção entre cinco anos e prisão perpétua, como foi o caso de Vujadin Popovic e Ljubisa Beara.
 

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