Crise

Merkel descarta saída da zona do euro apesar do nervosismo nas bolsas

A chanceler alemã, Angela Merkel.
A chanceler alemã, Angela Merkel. REUTERS/Thomas Peter
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As bolsas europeias registraram fortes perdas nesta segunda-feira, feriado nos Estados Unidos, em razão das incertezas sobre a solidez dos bancos europeus diante da crise das dívidas na zona do euro. A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a negar a possibilidade de a Alemanha ou qualquer outro país do grupo deixar a zona do euro.

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As declarações do ministro grego das Finanças, Evangélos Vénizélos, na última sexta-feira, deixaram os investidores ainda mais preocupados com o futuro da moeda única europeia. Ele disse que a Grécia não vai atingir a meta de déficit público fixada para 2011, devido ao agravamento da recessão na Europa.

A reação dos mercados foi imediata. As bolsas europeias iniciaram a semana no vermelho. Os pregões na Europa fecharam em forte queda. A bolsa de valores de Paris terminou perdendo 4,73%, Londres recuou 3,58% e Frankfurt, 5,28%. Queda também em Milão, de 4,83%, e em Madri, de 4,69%.

A chanceler alemã, Angela Merkel, recomendou hoje à Grécia cumprir os compromissos assumidos com os demais países da zona do euro. Merkel descartou a hipótese evocada com frequência, nas últimas semanas, de uma saída da Alemanha da zona da moeda única, alegando que a medida criaria um efeito dominó perigoso. "Tanto tecnicamente como juridicamente, a exclusão de qualquer país é impossível", declarou a chanceler. 

Por outro lado, o presidente do BC italiano e futuro presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, propôs hoje uma ampla revisão do Tratado de Lisboa, que rege as regras de funcionamento da União Europeia. Draghi estima que os europeus precisam adotar medidas de maior disciplina fiscal e promover reformas estruturais para melhorar a governança econômica do bloco. Para o italiano, a mutualização das dívidas dos países da zona do euro em dificuldades (Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália) não basta para restaurar a confiança no euro. 

Mal entrou em vigor, em 2009, após uma maratona de referendos e negociações complexas, o Tratado de Lisboa já está caduco.

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