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Portugal/Crise

Portugueses protestam durante visita de Merkel a Lisboa

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e a chanceler alemã, Angela Merkel, durante cúpula da União Européia, em Bruxelas, no dia 18 de outubro de 2012.
O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e a chanceler alemã, Angela Merkel, durante cúpula da União Européia, em Bruxelas, no dia 18 de outubro de 2012. REUTERS/Christian Hartmann
3 min

Apesar das palavras simpáticas e de apoio a Portugal, a chanceler alemã, Angela Merkel, continua sendo persona non grata por várias organizações e sindicatos portugueses, por ser considerada a responsável pelas medidas de austeridade que estão sendo tomadas em alguns países do velho continente. Um forte esquema de segurança teve de ser montado para a visita da chanceler à Lisboa, nesta segunda-feira.

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Adriana Niemeyer, correspondente em Lisboa

Em uma entrevista à cadeia nacional de televisão, antes da sua visita de seis horas a Lisboa, Merkel afirmou que Portugal cumpriu “muito bem” os compromissos que assumiu. O país não deverá necessitar renegociar o acordo com a troika de credores internacionais (Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu), nem precisar de mais tempo ou de mais dinheiro para sua recuperação econômica, afirmou a chanceler.

Paralelamente à visita da chanceler, uma comissão de técnicos da troika inicia a sexta avaliação trimestral do programa de rigor e de reformas negociado em maio de 2011 em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros. A missão técnica vai durar uma semana e ao final deve dar seu acordo para o repasse de uma nova parcela de 2,5 bilhões de euros ao governo português.

Exército é chamado para reforçar a segurança

As declarações de Merkel não convencem os portugueses, que organizaram manifestações em vários pontos de Lisboa, já que ainda não se conhece o percurso que a chanceler vai fazer na capital. Ela tem encontros com o com o presidente Aníbal Cavaco Silva, com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e vai participar de um fórum de empresários portugueses e alemães. Empresas alemãs estão interessadas em aumentar seus investimentos em Portugal, o que pode agradar parcialmente a população preocupada com a alta do desemprego.

Apesar de grande parte dos encontros acontecerem entre o Palácio Presidencial de Belém e o Forte São Julião, fora do centro da cidade, a polícia pediu o reforço das Forças Armadas para as operações de segurança, que entre outras medidas, vai fechar o espaço aéreo e a navegação no rio Tejo.

Até agora os policiais não sabem bem quantos protestos e concentrações vão acontecer. Oficialmente estão programadas duas grandes manifestações, porém as redes sociais e o movimento dos indignados estão convocando protestos em todo o país. Os militantes pedem a todos os cidadãos que se vistam de preto e coloquem panos da mesma cor nas janelas, em sinal de protesto.

Vale lembrar que a visita da chancelar alemã acontece num momento delicado e agitado no país, entre a manifestação da Guarda Republicana Nacional, no último sábado, e a greve geral que Portugal vai aderir na próxima quarta-feira convocada pela Confederação Europeia dos Sindicatos. Dez mil militares foram às ruas reclamar das ameaças à independência de Portugal, frente as exigências da troika, a diminuição dos soldos, provocada pelas medidas de rigor que os militares consideram em parte inconstitucionais.

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