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Grécia/extrema-direita

Polícia grega prende líder do partido neonazista Aurora Dourada

Um policial na sede do partido Aurora Dourada
Um policial na sede do partido Aurora Dourada REUTERS/John Kolesidis
Texto por: RFI
3 min

Dez dias depois do assassinato de um rapper antifascista que chocou a opinião pública, as autoridades gregas anunciaram neste sábado a prisão do líder do partido neonazista Aurora Dourada Nikolaos Michaloliakos e de dois deputados da legenda. Segundo a polícia, que lançou uma vasta operação no país, diversos membros do partido foram detidos.

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O líder do Aurora Dourada Nikolaos Michaloliakos, fundador do partido em 1980, foi preso pela polícia antiterrorista grega na manhã deste sábado. Seu porta-voz, Ilias Kasidiaris também foi detido.

A Justiça emitiu cerca de 30 mandatos de busca e apreensão contra membros e militantes, mas nem todos foram localizados. Os integrantes da legenda são acusados de "organização criminosa" e de violência física e morte.

No fim de semana, eles devem comparecer ao tribunal e serem indiciados, de acordo com o ministro da Justiça, Haralambos Athanassiou.

A operação policial ocorreu simultaneamente em diversas regiões do país. Outras prisões devem acontecer nas próximas horas.

As autoridades gregas vinham sendo criticadas pela falta de medidas severas diante das denúncias envolvendo o partido.

A morte do rapper antiracista Pavlos Fyssas, 34 anos, militante de extrema-esquerda esfaqueado na saída de um bar em Atenas, obrigou a polícia a agir. A Aurora Dourada reinvidicou o crime, chocando a opinião pública. O partido também é suspeito de diversas agressões contra estrangeiros e militantes de esquerda.

Já na segunda-feira, a polícia grega demitiu e suspendeu diversos membros da corporação, acusados de terem ligações com membros do partido.

Paralelamente, a Corte Suprema grega abriu um inquérito há uma semana que visa obter elementos que caracterizem a Aurora Dourada como uma "organização criminosa", o que possibilitaria a interdição do partido.

Desde outubro de 2011, segundo a Associação de Direitos Humanos Dyktio, ocorreram cerca de 300 casos de agressões e violência contra estrangeiros vivendo na Grécia, que estariam relacionados aos membros da legenda.

O governo demorou a tomar providências temendo complicar a situação política no país, que vive uma grave crise financeira e depende da ajuda do FMI e da União Europeia.

Em 2012, o Aurora Dourada obteve 18 cadeiras no Parlamento. O partido ameaçou se retirar do governo, o que poderia provocar eleições legislativas parciais antecipadas. Uma possibilidade que foi descartada pelo premiê Antonis Samaras.

Mais de 10 mil gregos foram às ruas nesta quarta-feira para denunciar o partido de extrema-direita, e 2 mil pessoas assistiram, nesta quinta-feira, ao funeral do rapper Pavlos Fyssas.
 

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