Itália/Tragédia

Autoridades europeias e italianas são vaiadas em Lampedusa

Os caixões das vítimas do naufrágio alinhados em um hangar do aeroporto de Lampedusa, no dia 5 de outubro de 2013.
Os caixões das vítimas do naufrágio alinhados em um hangar do aeroporto de Lampedusa, no dia 5 de outubro de 2013. REUTERS/Antonio Parrinello

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a commisária europeia para assuntos internos, Cecilia Malmström, o chefe do governo italiano, Enrico Letta, e o vice-primeiro-ministro, Angelino Alfano, foram vaiados e insultados por moradores ao chegarem nesta quarta-feira, 9 de outubro de 2013, a Lampedusa. Autoridades europeias e italianas foram à pequena ilha do sul da Itália para prestar uma homenagem aos imigrantes mortos no naufrágio da última quinta-feira.

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O premiê Enrico Letta anunciou funerais de Estado para os imigrantes mortos no naufrágio. Além da homenagem às vítimas, as autoridades europeias e italianas se encontram com a guarda-costeira, as ongs que atuam na ilha, personalidades locais e um grupo de refugiados.

Os moradores de Lampedusa criticam o governo italiano por não ter uma política coerente sobre a acolhida de imigrantes e a Europa por não ser suficientemente solidária. Em protesto, os pescadores tocaram as sirenes de seus navios durante a visita das autoridades.

Essa ilha de menos de seis mil habitantes recebe um grande fluxo de clandestinos, que ficam detidos em um abrigo superlotado.

A morte de centenas de imigrantes no naufrágio da última quinta-feira aumentou ainda mais uma tensão que já existia. Até agora 289 corpos foram recuperados, mas o número total de mortos é estimado entre 300 e 390, em sua maioria originários da Eritreia.

A questão da acolhida de imigrantes na Europa se torna cada vez mais urgente. Na terça-feira, enquanto os ministros do bloco debatiam o assunto, dois outros navios salvaram nas águas sicilianas mais de 400 novos clandestinos.

Fronteiras

A Frontex, agência de monitoramento das fronteiras europeias, decidiu repassar para a Itália dois milhões de euros suplementares para prolongar a operação Hermes, que cobre a área onde se encontra Lampedusa. A agência especificou que a decisão já havia sido tomada antes da tragédia da última quinta-feira.

As atividades da Frontex permitiram salvar milhares de vidas nos últimos anos, mas a agência não tem recursos próprios e seu orçamento foi reduzido em nome da austeridade imposta pela crise.

A comissária europeia Cecilia Malmström reconheceu que um dos primeiros pedidos apresentados aos Estados será uma contribuição para reforçar o orçamento da Frontex, reduzido a 85 milhões de euros em 2013, contra 118 milhões de euros em 2011.

O Papa Francisco exprimiu nesta quarta-feira sua "proximidade" com os bispos do Nordeste africano que "perderam tantos de seus filhos" na tragédia.

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