Europa/ espionagem

França e Alemanha querem pacto com EUA sobre serviços secretos

Chanceler alemã, Angela Merkel, e presidente francês, François Hollande, se unem contra a espionagem americana.
Chanceler alemã, Angela Merkel, e presidente francês, François Hollande, se unem contra a espionagem americana. REUTERS/Bundesregierung/Guido Bergmann/Pool

A cúpula de líderes europeus termina no início da tarde, no horário local, em Bruxelas. Mas uma decisão já foi tomada: França e Alemanha lançaram uma iniciativa conjunta para encontrar um acordo com os Estados Unidos, até o fim do ano, sobre regras comuns para os serviços secretos aliados. Novas revelações do jornal britânico The Guardian, publicadas na noite desta quinta-feira, mostram que a Agência Nacional de Segurança americana, a NSA, grampeou os telefones de 35 líderes mundiais.

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Além da presidente Dilma Rousseff, na Europa as escutas atingem os dirigentes da Alemanha, Itália, França, entre outros países. O presidente francês, François Hollande, comentou que as revelações do ex-agente da CIA Edward Snowden poderiam finalmente ser "úteis", se levarem a uma "maior eficácia" dos serviços de inteligência e à maior proteção da vida privada dos cidadãos.

“No fim, as revelações de Snowden poderão ser úteis", declarou o líder francês em entrevista coletiva após o primeiro dia da cúpula europeia em Bruxelas. Em relação aos Estados Unidos, o que há "é uma questão de confiança: a verdade sobre o passado e regras de conduta para o futuro", disse Hollande.

França e Alemanha lançaram na noite desta quinta-feira uma "iniciativa conjunta" para discutir com os Estados Unidos a forma de se chegar a um acordo sobre a questão da Inteligência até o final do ano. "Vamos fazer todo o possível para conseguir antes do fim de ano um entendimento comum sobre a cooperação dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e Alemanha e Estados Unidos e França, respectivamente", confirmou a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Queremos saber o que a imprensa já sabe e vai seguir publicando a partir dos chamados documentos Snowden", assinalou Hollande, que espera novas revelações. A iniciativa está também aberta para os outros países europeus que queiram se unir, enquanto tentará se revitalizar o grupo criado há meses pela UE para discutir o assunto com Washington.

O presidente francês destacou que o "que está em jogo é a preservação da nossa relação com os Estados Unidos", assim como o "reforço" da confiança. "Não deve haver espionagem entre aliados."
José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, comparou a espionagem americana às práticas da Stasi, sigla do serviço secreto da ex-Alemanha Oriental e alertou contra o risco de totalitarismo.

Brasil quer interrogar Snowden

Segundo informação do "Jornal da Globo" a Polícia Federal quer interrogar fora do país Snowden, atualmente exilado na Rússia, e os presidentes mundiais da Yahoo, Microsoft, Google, Facebook e Apple. O pedido dos interrogatórios será enviado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

A assessora de Barack Obama para assuntos internos, Lisa Monaco, admitiu nesta quinta-feira que o programa de monitoramento do serviço secreto americano criou tensões "considerávais" com aliados próximos. Mas como tem feito desde o início, o governo americano defende a legitimidade das atividades de espionagem. Obama vai hoje a Nova York participar de uma cerimônia de coleta de fundos para o Partido Democrata.
 

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