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Vaticano/Papa

Papa Francisco canoniza João Paulo 2° e João 23 diante de multidão no Vaticano

Papa Francisco saúda a multidão na praça São Pedro após a cerimônia de canonização de João 23 e João Paulo 2°, neste domingo (27).
Papa Francisco saúda a multidão na praça São Pedro após a cerimônia de canonização de João 23 e João Paulo 2°, neste domingo (27). Reuters
Texto por: RFI
5 min

Pela primeira vez, dois papas, João Paulo 2° e João 23, foram canonizados ao mesmo tempo. E, também pela primeira vez, dois pontífices, Francisco e o antecessor Bento 16, celebraram uma cerimônia juntos. A dupla canonização reuniu um milhão de pessoas em Roma. Os dois novos santos foram "homens corajosos" e não se deixaram vencer por tragédias, disse o papa argentino em sua homilia.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

O papa Francisco tornou santos neste domingo (27) os dois papas mais emblemáticos do pós-guerra, João 23 e João Paulo 2°, "dois homens corajosos", diante de uma multidão de fiéis entusiastas reunidos na praça São Pedro.

"Declaramos e definimos santos os bem-aventurados João 23 e João Paulo 2°", disse o papa argentino, sob os retratos de Angelo Roncalli e Karol Wojtyla expostos na fachada da basílica de São Pedro. A frase, pronunciada em latim, foi aclamada pela multidão enquanto os sinos badalavam em todas as igrejas de Roma.

Em sua homilia, Francisco homenageou "dois homens corajosos", portadores de "uma esperança viva", que "viveram tragédias mas não foram esmagados por elas".

Para o papa argentino, os dois novos santos ajudaram a "restaurar e atualizar a Igreja segundo sua fisionomia de origem" com o Concílio Vaticano 2, que foi realizado de 1962 a 1965 e havia sido convocado por João 23.

Mais tarde, ele afirmou que os dois papas haviam "contribuído de maneira indelével ao desenvolvimento dos homens e à paz".

Francisco também definiu Karol Wojtyla como o "papa da família", que deve acompanhar a Igreja na defesa dessa instituição, que para ele é prioritária.

Domingo dos quatro papas

Fato inédito no dois mil anos de história da Igreja católica, essa dupla canonização aconteceu com a presença de dois papas, Francisco e seu predecessor, Bento 16. Dos 266 papas que dirigiram a Igreja, cerca de 80 foram canonizados.

O papa emérito parecia estar em boa forma e ficou à esquerda do altar, a fim de evitar qualquer confusão com o atual papa. No início da cerimônia, Francisco o abraçou e, ao final, o papa argentino apertou calorosamente as duas mãos de seu predecessor.

Após a celebração, 98 delegações de Estados ou organizações internacionais, incluindo 24 chefes de Estado e membros da realeza - como o rei da Espanha e o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe - desfilaram para cumprimentar Francisco.

Em seguida, o papa argentino percorreu em carro aberto a praça São Pedro e a avenida da Conciliazione, aclamado pelos fiéis. Ao contrário do que costuma fazer, ele parou somente para beijar dois bebês.

Multidão de peregrinos

Roma, cidade com cerca de 3 milhões de habitantes, está acostumada com o fluxo de turistas. Mas para a dupla canonização recebeu quase um milhão de peregrinos. Os fiéis vieram de todas as partes do mundo, mas a maioria era da Polônia, país natal de Karol Wojtyla, que assumiu o nome João Paulo 2° quando se tornou papa.

Para esta ocasião, a segurança foi reforçada com dez mil agentes policiais, muitos à paisana, pois nas grandes cerimônias do Vaticano a presença da polícia não é ostensiva.

Na véspera do evento, até os bueiros nos arredores do Vaticano foram lacrados para evitar qualquer risco de atentado. No dia anterior, a praça São Pedro foi esvaziada a partir das 17h30. Ninguém podia dormir lá. Segundo a defesa civil, o afastamento das pessoas era por motivos de saúde pública e segurança.

Em compensação, os peregrinos se dirigiram para as ruas de acesso à praça São Pedro, onde alguns dormiram poucas horas ao relento e outros vararam a noite para garantir os melhores lugares.

Além da segurança, cerca de 2.500 voluntários ajudaram na organização, distribuindo água, dando informações e coordenando o fluxo da multidão. Nos arredores do Vaticano estavam diversas ambulâncias e foram colocados banheiros químicos e tendas com abrigos para crianças, idosos e necessitados.

Quem não conseguiu chegar à praça São Pedro pôde assistir a transmissão da cerimônia em 18 telões instalados em lugares emblemáticos da capital italiana.

Estima-se que cerca de dois bilhões de pessoas no mundo inteiro tenham acompanhado a canonização de João 23 e João Paulo 2°.

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