Ucrânia/ Rússia

Ucrânia denuncia entrada de armamento pesado russo no país

Militares russos fazem a segurança de comboio de caminhões que Moscou quer enviar para o leste da Ucrânia, supostamente com ajuda humanitária para separatistas.
Militares russos fazem a segurança de comboio de caminhões que Moscou quer enviar para o leste da Ucrânia, supostamente com ajuda humanitária para separatistas. REUTERS/Alexander Demianchuk

As autoridades ucranianas afirmam que, nas últimas 24 horas, novos armamentos pesados russos entraram na Ucrânia em direção ao comando insurgente no leste do país, inclusive três lança-mísseis Grad. Em uma gravação de vídeo divulgada no sábado (16), Alexandre Zakharchenko, o primeiro-ministro de Donetsk designado dos separatistas, disse que estava esperando a chegada de 150 veículos blindados, entre eles 30 tanques, e 1.200 combatentes formados na Rússia durante quatro meses.

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Um porta-voz do Kremlin desmentiu as informações e reiterou que “não entrega equipamentos militares” para os insurgentes. As informações devem ser consideradas em uma reunião para negociações entre os chanceleres russo e ucraniano hoje em Berlim (Alemanha), com a presença dos ministros das Relações Exteriores da Alemanha e da França. Enquanto isso, os combates permanecem no leste da Ucrânia.

Durante a madrugada, um avião de caça ucraniano Mig-29 foi abatido por separatistas pró-russos na região de Lugansk, de acordo com as autoridades de Kiev. De acordo com o governo, o piloto conseguiu ejetar são e salvo do caça quando a aeronave foi atingida por disparos dos separatistas e estaria “em um local seguro”.

Autoridades ucranianas alegam que os rebeldes estão travando uma ação desesperada para manter Lugansk - que é rota de abastecimento pela Rússia - e dizem que o fluxo de armas e combatentes da Rússia se acelerou. Moscou nega fornecer ajuda aos rebeldes e acusa Kiev, apoiada pelos ocidentais, de desencadear uma crise humanitária, por meio do uso indiscriminado de força contra as populações de origem russa no leste da Ucrânia.

Apesar de um acordo firmado ontem entre as autoridades dos dois países para a entrada de um comboio russo de ajuda humanitária para os separatistas do leste ucraniano, os caminhões permaneciam bloqueados na fronteira neste domingo. Conforme o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a situação não avançou devido à falta de segurança para os funcionários da entidade, que vão inspecionar os veículos.

Retomada de delegacia

Pela manhã, as forças ucranianas hastearam a bandeira nacional em uma delegacia de polícia na cidade, que esteve por meses sob controle rebelde. A retomada da delegacia poderia ser um grande avanço no esforço da Ucrânia para reprimir os separatistas pró-Moscou.

Andriy Lysenko, um porta-voz militar ucraniano, disse que forças do governo lutaram contra separatistas em um bairro de Lugansk no sábado e assumiram o controle de Zhovtneviy, a delegacia de polícia do bairro. A Guarda Nacional afirma ter prendido um líder militar da região e 13 pessoas suspeitas de “atividades terroristas”. Em Donetsk, pelo menos 10 civis morreram ao serem atingidos pelos combates entre as forças ucranianas e os insurgentes.

 

 

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