Invasão russa/Ucrânia

Ucrânia denuncia uma invasão militar russa no leste do país

Combates entre separatistas pró-russos e exército ucraniano em Ilovaysk, no leste da Ucrânia na terça-feira (26).
Combates entre separatistas pró-russos e exército ucraniano em Ilovaysk, no leste da Ucrânia na terça-feira (26). REUTERS/Maks Levin

Dois embaixadores ucranianos, um da União Europeia e outro da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), denunciaram nesta quinta-feira (28) uma “invasão russa” no leste do país. Kiev também pediu apoio militar aos países ocidentais, diante da entrada de tropas russas no território ucraniano.

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As denúncias aconteceram nesta manhã, durante uma reunião urgente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Viena, na Áustria, para tratar das violações russas na Ucrânia.

O representante da Ucrânia na OSCE, Ihor Prokoptchouk, classificou a “invasão direta do exército russo” como um ato de agressão. Já o embaixador ucraniano na União Europeia, Konstiantyn Elisseiev, pediu uma ajuda militar urgente aos ocidentais para fazer face à “invasão russa”.

O embaixador russo na Organização, Andrei Kelin, negou a informação, dando sequência à posição de Moscou de rejeitar toda e qualquer possibilidade da presença de militares russos em território ucraniano. “Uma dezena de soldados russos atravessou a fronteira  por engano há dois dias”, reiterou, lembrando que os soldados russos foram presos na última terça-feira.

Acusações contra a Rússia

As acusações de interferência direta de Moscou em território ucraniano se multiplicaram desde ontem. O embaixador norte-americano na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, declarou que a Rússia está “diretamente envolvida” nos confrontos entre o exército ucraniano e a rebelião separatista. Ele também acusou Moscou de ter enviado sistemas de defesa aéreos para o leste da Ucrânia.

A Polônia e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) já haviam afirmado ter provas de que tropas russas estavam operando regurlarmente na região.

O presidente francês, François Hollande, declarou hoje que a “eventual” presença de militares russos no leste da Ucrânia seria “intolerável e inaceitável”.

A chanceler alemã Angela Merkel conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, por telefone e pediu esclarecimentos sobre essa suspeita de envolvimento de soldados russos no conflito ucraniano. Para a chanceler, a Rússia tem que assumir a sua responsabilidade na desescalada do conflito na Ucrânia.

Ontem, o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniouk, ressaltou que Kiev precisa de ajuda dos países ocidentais para resolver a questão. Iatseniouk diz esperar que “decisões cruciais” sejam anunciadas na cúpula da Otan que será realizada no dia 4 de setembro no Reino Unido.

Russos no leste da Ucrânia

Nesta manhã, autoridades ucranianas afirmaram que tropas russas tomaram ontem à noite a cidade de Novoazovsk, cidade de 11 mil habitantes situada a 100 quilômetros do reduto rebelde de Donetsk, no leste da Ucrânia.

O presidente ucraniano, Petro Porochenko, anulou uma visita que faria hoje à Turquia e realizou uma reunião urgente com o Conselho Nacional de Segurança e Defesa do país. As autoridades temem que o aumento das tensões na região resulte em uma guerra aberta entre a Rússia e a Ucrânia.

Porochenko também indicou que as cidades de Amvrosivka e Starobechev, ao sudeste de Donetsk, foram tomadas pela rebelião separatista. Já o porta-voz dos militares ucranianos, Andri Lyssenko, apontou que a presença de um batalhão tático do exército russo foi registrado na periferia da cidade de Pobeda, a 60 quilômetros da fronteira oeste ucraniana com a Rússia.

No começo desta semana, Kiev anunciou ter capturado dez paraquedistas russos em território ucraniano, a cerca de 20 quilômetros da fronteira com a Rússia. Moscou minimizou a gravidade do anúncio, classificando-o como “um acidente”.

Rebelião confirma participação russa nos combates

Apesar da insistência do governo russo de negar a interferência militar na Ucrânia, nesta manhã, um chefe rebelde confirmou que três mil voluntários russos participam dos combates ao lado dos separatistas. Com a ajuda dessas tropas russas, inclusive, os separatistas teriam entrado em uma cidade do sudeste da Ucrânia que fica perto da fronteira russa. O objetivo é dominar a cidade vizinha Mariupol, uma das mais importantes da região.

Em Donetsk, 11 civis morreram em bombardeios nas últimas 24 horas. Desde meados de abril, o conflito entre o exército ucraniano e as forças pró-russas resultou em mais de 2.200 mortos, de acordo com dados a ONU.

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