Conflito/Ucrânia

Conflito no leste da Ucrânia já deixou 2,6 mil mortos, diz ONU

Soldados pró-russos enterram vítimas do conflito em Donetsk, reduto dos separatistas no leste da Ucrânia, nesta quinta-feira (28).
Soldados pró-russos enterram vítimas do conflito em Donetsk, reduto dos separatistas no leste da Ucrânia, nesta quinta-feira (28). REUTERS/Maxim Shemetov

Combates entre o exército ucraniano e os rebeldes separatistas pró-russos no leste da Ucrânia deixaram 2.593 mortos desde o mês de abril. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (29) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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“A tendência é clara e preocupante. Há um significativo aumento de mortes no leste da Ucrânia”, declarou hoje o secretário-geral adjunto para os direitos humanos da ONU, Ivan Simonovic. Ele lembrou que o número de vítimas chega a quase 3 mil se forem contabilizadas as 298 pessoas que morreram na queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, em julho. A aeronave foi provavelmente abatida por um míssil russo proveniente da região controlada pelos rebeldes.

A Rússia, no entanto, mantém sua posição sobre o não envolvimento de suas forças no conflito. Ontem, durante uma reunião de urgência realizada na sede da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para tratar do assunto, autoridades ucranianas acusaram Moscou de uma invasão militar direta no leste da Ucrânia.

Segundo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mais de mil soldados russos integram as forças separatistas. A organização afirmou ter fotos que sustentam essa acusação. Já um chefe rebelde do leste da Ucrânia declarou ontem que três mil voluntários russos participam dos combates ao lado dos insurgentes.

Na noite de quinta-feira, o presidente norte-americano, Barack Obama, não mediu as palavras para atacar Moscou e ameaçou o governo russo com novas sanções. “A violência é encorajada pela Rússia. Os separatistas são treinados, armados e financiados por Moscou. O exército russo invadiu o território ucraniano e violou a soberania e a integridade do país”, disse.

Corredor humanitário

Nesta madrugada, o presidente russo Vladimir Putin pediu aos separatistas que façam um "corredor humanitário" para permitir a saída dos soldados do exército ucraniano que estão cercados pelas forças rebeldes no leste da Ucrânia. O objetivo, de acordo com Putin, é “evitar vítimas inúteis”.

Há uma semana, soldados ucranianos estão cercados pela rebelião pró-russa na cidade de Illovaisk, a cerca de 40 quilômetros de Donetsk, reduto dos separatistas. Para Putin, a situação demonstra “o sucesso” dos insurgentes contra a operação militar de Kiev.

Putin também pediu que Kiev tente negociar com os separatistas para estabelecer um cessar-fogo e colocar um fim ao conflito. Além disso, o presidente russo sugeriu que os insurgentes forneçam ajuda médica aos soldados ucranianos feridos.

Os separatistas responderam que estão dispostos a atender as solicitações de Putin, mas impuseram condições às forças ucranianas. “Com todo o respeito que temos pelo presidente de um país que nos apoia, sobretudo moralmente, estamos dispostos a abrir um corredor humanitário aos militares ucranianos cercados, com a condição de que eles nos entreguem suas armas e munições”, declarou o “primeiro-ministro” da república separatista de Donetsk, Alexandre Zakhartchenko.

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