Rússia/Ucrânia

Às vésperas de novas sanções, Europa sobe o tom contra Rússia

O presidente russo Vladimir Putin, durante a cúpula regional em Minsk, na última terça-feira
O presidente russo Vladimir Putin, durante a cúpula regional em Minsk, na última terça-feira REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin

Nesta sexta-feira (29), a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pediu que a Rússia pare imediatamente com suas "ações militares ilegais" na Ucrânia. O secretário geral do órgão, Anders Fogh Rassmussen condenou "o permanente desprezo" de Moscou com suas "obrigações internacionais" e exigiu medidas "imediatas e verificáveis" para reverter a escalada de violência na Ucrânia.

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Dirigentes europeus também aumentaram o tom. O chanceler francês Laurent Fabius exigiu que cessem "os barulhos de botas russas" no leste do país e Berlim denunciou uma "intervenção militar", que pode fugir do controle. Essas declarações acontecem na véspera de uma reunião do Conselho Europeu para decidir uma nova rodada de sanções contra a Rússia.

Moscou voltou a ameaçar a Europa com possíveis cortes no abastecimento de gás, mas viu sua moeda, o rublo, sofrer uma queda recorde (US$ 1 para 37 rublos). Enquanto isso, o FMI desbloqueou um empréstimo de US$ 1,4 bilhão para a Ucrânia que, além do conflito, enfrenta uma grave crise econômica.

Kiev se aproxima da Europa

Na reunião deste sábado (30), o presidente ucraniano Petro Porochenko será recebido pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que deixará o cargo. O mais cotado para substituí-lo é o premiê Donald Tusk da Polônia, um dos países mais hostis a Moscou. Hoje, o chefe da diplomacia polonesa, Radoslaw Sikorski, falou abertamente em "guerra" na Ucrânia e o avião do ministro russo da Defesa, Serguei Choigu, foi proibido de cruzar o espaço aéreo da Polônia.

Enquanto a Europa fechava o cerco, Kiev anunciou sua intenção de aderir à Otan, que já declarou que não fecharia as portas, como aconteceu em 2010, quando o país era governado pelo presidente pró-russo Viktor Yanukovich. Na quinta-feira, a Organização havia denunciado que mais de 1.000 soldados russos combatiam na Ucrânia e que 20 mil estavam de prontidão ao longo da fronteira. Nas últimas 24 horas, Kiev perdeu 10 soldados.

Putin morde...

Do outro lado da fronteira, Vladimir Putin declarou que é preciso "forçar" Kiev a negociar com os separatistas. Ele falou de "sucessos consideráveis" da rebelião pró-russa, que retomou a iniciativa depois de várias semanas na defensiva.

Em um comunicado, ele se dirigiu aos "insurgentes da Novorrússia", palavra que ele usa desde abril para designar as regiões do leste e do sul da Ucrânia. "O povo russo e o povo ucraniano são quase um mesmo povo", afirmou, lembrando que a Crimeia não voltará mais ao controle ucraniano.

...e assopra

Pouco depois, no entanto, a televisão russa veiculou trechos de uma entrevista, em que o presidente russo afirma que fechou um acordo para fornecer ajuda humanitária à Ucrânia com Petro Porochenko, que classificou como um "parceiro" com quem "se pode conversar". Os dois se encontraram na terça-feira em Minsk e Putin disse que teve "ótima impressão".

Ele garantiu que vai executar um plano sugerido por Porochenko para ajudar as populações de Lugansk e Donetsk, os dois principais refúgios rebeldes no leste da Ucrânia. "Entregaremos por via férrea víveres e outros bens que as pessoas necessitam. Essa foi a sugestão dele e eu aceitei", afirmou o presidente russo. A íntegra da entrevista que deve ser veiculada no domingo pelo canal oficial de televisão.
 

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