Ucrânia/ crise

Objetivo da Rússia é “eliminar a Ucrânia”, diz premiê ucraniano

Novo comboio russo levando supostamente mais ajuda humanitária para as regiões do leste da Ucrânia se aproxima da fronteira.
Novo comboio russo levando supostamente mais ajuda humanitária para as regiões do leste da Ucrânia se aproxima da fronteira. REUTERS/Alexey Koverznev

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, disse neste sábado (13) que o objetivo do presidente russo, Vladimir Putin, é “eliminar a Ucrânia” enquanto Estado independente. Para o premiê, ainda é “prematuro” falar em paz no país. O exército ucraniano afirma ter defendido o aeroporto de Donetsk de um ataque dos separatistas.

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O premiê pediu que os Estados Unidos e a União Europeia façam parte das negociações de um plano de paz para acabar com o conflito no leste do país, que já dura quase seis meses. “O objetivo final de Vladimir Putin é não apenas as regiões de Donetsk e Lugansk. Ele quer tomar a Ucrânia inteira”, declarou Iatseniuk, em uma conferência internacional anual para planejar a entrada da Ucrânia na União Europeia.

“Putin não pode aceitar a ideia de que a Ucrânia faça parte da família europeia. Ele quer restaurar a União Soviética”, comentou, ressaltando que o governo russo é “uma ameaça para a paz mundial e para a segurança de toda a Europa”. Na terça-feira, Kiev vai assinar um acordo de associação à União Europeia, um passo histórico de afastamento em relação à Rússia.

Planos de reconquista

Segundo o primeiro-ministro, Moscou planeja abrir um corredor entre a fronteira russa e a península da Crimeia, anexada pelos russos em fevereiro. Para isso, tomaria o controle de diversas regiões do sul da Ucrânia. Iatseniuk ressaltou que ainda é muito cedo para falar em fim dos combates, oito dias após a entrada em vigor de um cessar-fogo no leste e sudeste do país.

“Um acordo bilateral com a Rússia não é a melhor ideia. Eu defendo o formato de Genebra, com os Estados Unidos, a UE e a Rússia”, argumentou. “Nós não somos suficientemente fortes para fazer negociações bilaterais com a Rússia”, reconheceu.

Kiev e os ocidentais acusam Moscou de enviar regularmente armas, tanques e tropas para ajudar os separatistas contra o exército ucraniano. O Kremlin desmente toda interferência na crise.

Ataque a aeroporto

Apesar da trégua, o exército ucraniano afirma ter evitado um ataque insurgente ao aeroporto de Donesk, um dos focos dos separatistas. A tentativa dos pró-russos de controlar o local estratégico aconteceu na noite de ontem.

“Vários rebeldes, apoiados por seis tanques, lançaram um ataque contra o aeroporto de Donetsk, que foi heroicamente defendido pelos nossos soldados”, informa um comunicado do Estado-maior da operação ucraniana no leste. Na manhã deste sábado, a troca de disparos de artilharia permanecia na região, de acordo com moradores.
 

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