Ebola/Europa

UE cobra explicações da Espanha após contágio de enfermeira por Ebola

A enfermeira espanhola que está com Ebola foi transferida do Hospital de Alcorcon para o Carlos III, em Madri.
A enfermeira espanhola que está com Ebola foi transferida do Hospital de Alcorcon para o Carlos III, em Madri. REUTERS/Sergio Perez

A enfermeira espanhola contaminada pelo Ebola na Espanha, após atender dois padres que voltaram da África com a doença, foi transferida na noite desta segunda-feira (6) do hospital Alcorcón, na zona sul de Madri, para o La Paz-Carlos III, onde os dois pacientes foram tratados. As autoridades europeias pedem "esclarecimentos" à Espanha para entender as falhas no sistema de saúde que permitiram o primeiro contágio pelo vírus fora do continente africano.

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A enfermeira de 40 anos, casada, sem filhos, contraiu o Ebola ao atender dois padres que retornaram da Libéria e Serra Leoa, no mês passado, com a febre hemorrágica. Os dois missionários morreram.

Ela sentiu-se mal no dia 30 de setembro, mas apenas procurou um médico no domingo (5), depois de voltar de sua folga no trabalho. Cerca de 30 pessoas que tiveram contato com a enfermeira estão sendo monitoradas pelas autoridades sanitárias.

Nesta segunda-feira (7), a Comissão Europeia pediu "esclarecimentos" à Espanha para entender as falhas no dispositivo de segurança. "É evidente que houve falha em algum momento", afirmou Frédéric Vincent, porta-voz da instituição.

A ministra da Saúde espanhola, Ana Mato, diz que o governo está verificando se todos os protocolos foram respeitados durante o tratamento dos padres. A ministra tenta tranquilizar a população, afirmando que todas as medidas de segurança foram tomadas.

Apesar do caso, a Comissão Europeia não se mostra preocupada e considera uma eventual propagação do vírus Ebola no continente como "altamente improvável". O executivo europeu espera que a Espanha apresente nesta quarta-feira (8) os primeiros elementos para que o Comitê de Segurança Sanitária faça suas primeiras análises.

Nos últimos meses, a instância europeia criada para coordenação e trocar informações sobre o Ebola se reúne todas as semanas. A reunião programada para amanhã vai se dedicar ao caso espanhol, informou o porta-voz. O problema, quando identificado, servirá de exemplo para os outros, assinalou Frédéric Vincent.

França alerta para casos no país

Na França, o país com maior risco de importar o Ebola, segundo um estudo americano, o pânico já toma conta de algumas famílias. Pais de uma escola na região parisiense se recusam a enviar os filhos à aula, depois de descobrir que um aluno de 9 anos esteve recentemente na Guiné, um dos países afetados pela doença no oeste da África.

O menino retornou da Guiné no dia 3 de outubro e as famílias afirmam que ele deveria estar em quarentena, já que o período de incubação do Ebola varia de 2 a 21 dias.

As autoridades sanitárias da França já trataram de uma profissional de saúde que contraiu a doença quando esteve trabalhando na África para a ONG Médicos Sem Fronteiras. Ela saiu curada de um hospital na região parisiense.

Um estudo divulgado por pesquisadores da Northeastern University of Boston, nos Estados Unidos, estima em 75% os riscos de que um primeiro caso seja registrado na França até o dia 24 de outubro.

Pelo menos 12 hospitais do país estão mobilizados para um eventual caso de Ebola no país. Na segunda-feira, o presidente François Hollande declarou que a França “está pronta para tratar um eventual caso que surgir”.
 

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