Noruega/Nobel da Paz

Malala e ativista indiano defensor dos direitos da criança ganham Nobel da Paz

A paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi foram recompensados com o Nobel da Paz por sua luta em defesa dos direitos das crianças.
A paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi foram recompensados com o Nobel da Paz por sua luta em defesa dos direitos das crianças. REUTERS/Carlo Allegri/Files/Flickr

O prêmio Nobel Paz de 2014 foi atribuído a dois militantes dos direitos das crianças: a paquistanesa Malala Yousafzai, de 17 anos, e o indiano Kailash Satyarthi, de 60 anos. Ao anunciar os vencedores, o presidente do comitê Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, disse que Malala e Satyarthi foram recompensados "pela luta contra a opressão de jovens e crianças e por seu direito à educação". "Crianças devem ir à escola e não serem exploradas no trabalho", enfatizou.

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Respeitar os direitos das crianças e dos jovens é uma condição indispensável ao desenvolvimento pacífico da humanidade, diz o comunicado do Nobel. O prêmio foi anunciado nesta sexta-feira (10) em Oslo, capital da Noruega.

Malala ficou mundialmente conhecida depois de sofrer uma tentativa de assassinato de extremistas islâmicos talibãs, há exatamente dois anos. Ela foi perseguida porque defendia a educação das meninas e o direito das mulheres no Paquistão.

Kailash Satyarthi tem lutado contra o trabalho infantil na Índia desde 1990. O ativista dirige a ONG Bachban Bachao Andolan, que já libertou mais de 80 mil crianças de toda forma de exploração e promoveu a reintegração delas no sistema escolar. Satyarthi tem promovido campanhas internacionais em defesa dos direitos humanos e principalmente das crianças. O indiano criou o selo Goog Weave para produtos fabricados sem a exploração do trabalho infantil, no sudeste da Ásia.

Mais jovem premiada

Malala é a mais jovem vencedora na história do prestigioso prêmio. Em um comunicado, o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, declarou que Malala "dá orgulho ao país". Antes da adolescente, o recorde de idade da premiação era da australiana de origem britânica Lawrence Bragg, que tinha 25 anos quando dividiu o Nobel de Física com seu pai, em 1915.

A militância de Malala não é apreciada por todos os paquistaneses. Nascida no vale do Swat, um reduto de extremistas islâmicos, ela criou um blog, quando tinha 11 anos, para defender o direito das meninas de ir à escola. A iniciativa atraiu a fúria dos fundamentalistas. Os talibãs balearam a jovem na cabeça.

Depois de ficar entre a vida e a morte, Malala foi transferida para tratamento na Grã-Bretanha e acabou se instalando no país. Recuperada do trauma, ela retomou a militância e criou uma fundação que leva seu nome. A fundação apoia campanhas a favor da educação de crianças no Paquistão, na Nigéria, Jordânia, Síria e no Quênia.

O fato de Malala ser muito jovem para uma tal notoriedade não incomodou o comitê do Nobel. "Por sua luta heróica, ela se tornou uma porta-voz de primeiro plano dos direitos das meninas à educação", afirma o comitê.

Na tradição de Gandhi

O indiano Satyarthi se inscreve na tradição de Gandhi, segundo o júri do Nobel da Paz. "O ativista conduziu várias iniciativas e manifestações, sempre de forma pacífica, contra a grave exploração das crianças para fins de lucro financeiro", assinala o comunicado.

O comitê norueguês ainda afirma ter dado atenção especial à premiação de um hindu e de uma muçulmana, no momento em que o mundo é afetado por tensões religiosas.

O Nobel da Paz será entregue em Oslo, no dia 10 de dezembro, data da morte do químico sueco Alfred Nobel, inventor da premiação. Malala e Satyarthi vão dividir a recompensa de US$ 1 milhão.

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