União Europeia/Meio ambiente

Líderes da UE chegam a Bruxelas sem acordo sobre clima

Chanceler alemã, Angela Merkel, chega à cúpula da União Europeia em Bruxelas
Chanceler alemã, Angela Merkel, chega à cúpula da União Europeia em Bruxelas REUTERS/Francois Lenoir

Começou nesta quinta-feira (23), a cúpula de chefes de Estado e de governo da União europeia, em que a Europa pretende estabelecer um plano de ação que a posicione como líder mundial na luta contra o aquecimento global. Mas, na chegada à reunião, em Bruxelas, os líderes ainda não tinham chegado a um acordo sobre as medidas que permitiriam reduzir as emissões de CO2, melhorando ao mesmo tempo a segurança energética no continente.

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"As negociações não serão fáceis e eu não posso garantir que teremos resultados", anunciou na chegada a chanceler alemã, Angela Merkel. A mesma opinião é compartilhada por seu colega holandês, Mark Rutte: "Não estou muito otimista, os pontos de vista de uns e outros são muito distantes".

François Hollande enxerga a situação por outro prisma: "Um acordo tem de acontecer porque esta é uma questão fundamental para o mundo e para a Europa, que deve dar o exemplo. Se não houver acordo (entre os europeus), como vamos convencer os chineses ou os americanos?", perguntou o presidente da França, que receberá a Conferência sobre o Clima em 2015.

Plano sustentável

O plano apresentado pela Comissão Europeia se baseia em três objetivos ambiciosos para 2030: redução de 40% em relação a 1990 das emissões de gases do efeito estufa, aumento a 27% da participação das energias renováveis na matriz energética e economia de energia da ordem de 30%. Para o primeiro ministro finlandês, Alexander Stubb, este último objetivo poderia ser revisto para 27%, que ele considera mais "justo e equilibrado".

Isso porque há uma disparidade muito grande dentro do bloco. Enquanto os países ricos têm o modelo nuclear consolidado ou encontram-se em um estágio avançado de transição energética, os pobres - principalmente no leste europeu - dependem amplamente de energias fósseis, como o carvão.

Capitaneados pela Polônia, esses países exigem compensações para modernizar sua produção. Sem isso, a primeira ministra polonesa, Ewa Kopacz, já se disse disposta a exercer seu poder de veto sobre as reduções de CO2.

Investimentos e conexões

O grau de esforço de cada país seria determinado pelo critério do PIB per capita. Mas os ricos relutam em investir em um contexto de crise financeira. Por isso, é muito provável que tenham de ser criados mecanismos de apoio, como um fundo alimentado em parte por vendas de cotas de emissões que ajudaria os pobres a "modernizar seus sistemas energéticos", nas palavras de Kopacz.

De sua parte, Espanha e Porugal exigem melhores interconexões entre as redes energéticas europeias. Para Madri e Lisboa, que também ameaçam travar o acordo, não se pode exigir compromissos sobre o clima se não houver compromisso sobre as redes de fornecimento. Essa necessidade é particularmente sensível por conta da crise na Ucrânia e as ameaças de corte do abastecimento de gás russo.

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