Ucrânia/Crise

Moscou desafia Kiev ao apoiar eleições separatistas

O Ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse que a Rússia vai reconhecer os resultados das eleições separatistas no leste da Ucrânia.
O Ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse que a Rússia vai reconhecer os resultados das eleições separatistas no leste da Ucrânia. REUTERS/Maxim Shemetov

A Rússia joga lenha na fogueira da crise ucraniana. O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse nesta terça-feira (28) que o Kremlin vai reconhecer os resultados das eleições programadas para 2 de novembro nas regiões separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia.

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Segundo o ministro Lavrov, a votação no leste ucraniano vai legitimar as autoridades que assumiram o poder local, ou seja, os líderes pró-russos que assinaram o acordo de cessar-fogo no dia 5 de setembro. A posição do chanceler russo lembra ao governo de Kiev que ele não controla uma parte do território.

Cerca de três milhões de eleitores que vivem na região rebelde do leste do país não participaram das eleições legislativas ucranianas, realizadas no dia 26 outubro e vencidas pelos partidos pró-ocidentais. Os separatistas organizam no próximo domingo (2/11) eleições legislativas e presidenciais nas repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk.

Moscou, acusada por Kiev e pelos ocidentais de apoiar militarmente os rebeldes pró-russos, não havia formalmente reconhecido os referendos pela independência da região, organizados em maio pelos separatistas.

Reação de Kiev

O governo de Kiev reagiu à provocação, afirmando que a atitude da Rússia boicota as tentativas de levar a paz às zonas rebeldes, além de enfraquecer a confiança dos parceiros internacionais de Moscou. A economia russa, pressionada pelas sanções internacionais impostas principalmente aos setores bancário e petrolífero, está à beira da recessão.

Nesta terça-feira (28), os embaixadores da União Europeia se reúnem em Bruxelas para fazer um balanço das sanções europeias contra a Rússia. Mas, após as declarações do chanceler Lavrov, as chances de uma melhora nas relações entre russos e europeus são pequenas.
 

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