Ucrânia/Crise

Eleições separatistas ameaçam cessar-fogo na Ucrânia

O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko (centro) durante visita em Makiivka, no leste da Ucrânia.
O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko (centro) durante visita em Makiivka, no leste da Ucrânia. REUTERS/Maxim Zmeyev

As regiões separatistas ucranianas de Lugansk e Donetsk realizam eleições no próximo domingo (2), exatamente uma semana depois das eleições no restante da Ucrânia, que deram uma vitória folgada aos partidos pró-Ocidente. A votação na região separatista é considerada ilegal pelo governo de Kiev e condenada pelas Nações Unidas e a ONU. Já a Rússia anunciou que irá reconhecer o resultado das urnas desafiando mais uma vez o governo ucraniano.

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Sandro Fernandes, correspondente da RFI na Rússia, direto de Donetsk

O governo central de Kiev havia se comprometido com uma maior autonomia às regiões do leste do país e inclusive chegou a anunciar eleições em Donetsk e Luhansk para o início de dezembro, data que não foi aceita pelos separatistas.

O conflito no leste do país se arrasta desde abril e já deixou um saldo de 3,7 mil mortes. Desde setembro, quando foi assinado o cessar-fogo, mais de 300 pessoas morreram no conflito que a Cruz Vermelha chama de guerra civil. Nesta quinta-feira, sete militares ucranianos morreram nos confrontos com os separatistas trazendo novamente à tona a viabilidade do cessar fogo.

Eleições separatistas

O Kremlin anunciou na terça-feira (28) que vai reconhecer as eleições separatistas do próximo fim-de-semana, como reconheceu as eleições ucranianas do domingo passado. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a União Europeia (UE) lamentaram ontem a organização da votação nas regiões rebeldes. A ONU e a União Europeia também deploraram a promessa de Moscou de reconhecer os resultados das urnas separatistas.

Um alto funcionário do Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia disse que Moscou estaria violando o acordo de paz assinado em Minsk, minando o processo e legitimando a escalada de violência. Para o funcionário, a decisão da Rússia enfraquece a confiança no país como parceiro internacional.

O conflito na região parece não caminhar para uma solução. Aleksander Zakhartchenko, primeiro-ministro de Donetsk, disse que o governo de Kiev não respeita seus compromissos e anunciou que a região se prepara para a guerra.

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