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Reino Unido/Imigração

Premiê britânico desafia UE com plano para conter imigração europeia

O primeiro-ministro David Cameron discursou em uma fábrica na localidade de Rocester.
O primeiro-ministro David Cameron discursou em uma fábrica na localidade de Rocester. REUTERS/Oli Scarff
Texto por: RFI
4 min

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou nesta sexta-feira (28) uma série de medidas contra a imigração, principalmente de trabalhadores da União Europeia (UE). Ele admitiu que seu projeto vai exigir mudanças nos tratados europeus, algo que pode levar a divergências entre os países. "Sem dúvida, aplicar este pacote de medidas em seu conjunto exigirá mudanças nos tratados", disse Cameron.

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As disposições visam, sobretudo, trabalhadores de países do leste e do sul do bloco, pouco qualificados, que imigraram nos últimos anos para o Reino Unido atraídos por melhores salários. Cameron anunciou que os europeus que não encontrarem emprego em seis meses terão de deixar o país e que, para conseguir o direito a benefícios sociais, deverão ter trabalhado por pelo menos quatro anos. Além disso, os imigrantes não poderão receber subsídios britânicos se retornarem aos seus países.

No discurso, pronunciado em uma fábrica na região de Londres, o primeiro-ministro disse que não descarta a recusa dos parceiros europeus em reformar os tratados do bloco. Ele fez uma ameaça velada de tentar retirar o Reino Unido da UE no referendo que pretende organizar sobre o tema, em 2017. "Se ignorarem nossas inquietações e não conseguirmos encaminhar nossa relação com a UE, certamente não descarto nada", disse.

Comissão Europeia vai avaliar medidas

A Comissão Europeia anunciou que pretende debater com calma e prudência o plano de Cameron. "O diálogo começa hoje para abordar os temas, sem dramatização excessiva", disse o porta-voz do bloco Margaritis Schinias. "A Comissão quer ver o que é possível fazer sem fechar a porta. São ideias britânicas e fazem parte do debate", completou.

Cameron apresentou as medidas em um discurso um dia depois de ficar praticamente claro que não terá condições de cumprir a promessa eleitoral de controlar a imigração em seu primeiro mandato, que termina em maio. A situação contribuiu para o avanço do partido anti-imigração Ukip (Partido para a Independência do Reino Unido) nas últimas eleições regionais.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, recordaram a Cameron, em várias ocasiões, que a livre circulação de pessoas é um dos princípios sagrados da UE.

Espanhóis buscam empregos no Reino Unido

A Espanha é um dos países que mais contribuiu para o avanço da imigração no Reino Unido nos últimos meses, devido ao desemprego prolongado no período pós-crise financeira de 2008 na Europa. Em 2013, a Espanha foi o segundo país a enviar mais imigrantes para o Reino Unido, atrás apenas da China, mas diante da Índia, Austrália e Polônia. Trabalhadores de países do leste europeu, como Romênia, Bulgária e Polônia, também são numerosos no solo britânico.

No total, a imigração líquida anual - número de imigrantes menos o de britânicos que deixam o país - aumentou em 260.000 pessoas nos 12 meses concluídos em junho de 2014. Cameron havia prometido reduzir de maneira drástica os números da imigração.

Mensagem ao partido anti-imigração Ukip

Após vários dias de especulações, Cameron não anunciou nenhuma medida para impor cotas de imigrantes, como exige o Ukip, do carismático líder independentista Nigel Farage.

Farage respondeu ao discurso de Cameron com a afirmação de que o primeiro-ministro deve pedir desculpas aos britânicos por ter falhado em suas promessas eleitorais, ao mesmo tempo em que considerou as propostas irrealistas.

"Cameron levou 10 anos como líder dos conservadores para perceber as coisas que disse hoje", disse Farage, eurodeputado e defensor ferrenho do Reino Unido.

As pesquisas apontam um forte avanço do Ukip nas eleições gerais de maio, o que abala consideravelmente a ala mais à direita do Partido Conservador.

Cameron fez referência ao partido de Farage no discurso, ao chamar de "horrível" a sugestão de deportar imigrantes legais. "O Reino Unido é melhor graças à imigração, não apesar dela", concluiu.

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