Turquia/Política

Presidente turco defende operação policial visando imprensa

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan (à esq.) e o líder religioso Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan (à esq.) e o líder religioso Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos. AFP PHOTO / THIERRY CHARLIER / ZAMAN DAILY / SELAHATTIN SEVI

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, defendeu nesta segunda-feira (15) as operações efetuadas no domingo contra sedes de jornais e veículos de comunicação próximos do líder religioso exilado Fethullah Gülen. Segundo Erdogan, as batidas são uma resposta necessária aos "golpes baixos" promovidos por inimigos políticos do governo.

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A polícia turca prendeu 24 pessoas durante as operações nas sedes das empresas de mídia, especialmente da rede de televisão Samanyolu e do jornal Zaman, um dos principais do país.

Erdogan, que reagiu pela primeira vez às operações policiais contra a imprensa, rejeitou as críticas da União Europeia que considerou as operações "contrárias aos valores europeus". A Turquia aspira fazer parte do bloco, mas enfrenta a rejeição de governos de vários países.

"Eles defendem com unhas e dentes a liberdade de imprensa, mas (as batidas policiais) não têm nada a ver com isso. O que a União Europeia poderia dizer não nos preocupa, que a União Europeia nos aceite ou não como membro, não nos preocupa. Por favor, guardem sua sabedoria para vocês mesmos", disse Erdogan.

O procurador-geral de Istambul, Hadi Salihoglu, informou no domingo que os mandados de prisão foram emitidos contra 31 pessoas acusadas de instaurar um "grupo terrorista", além de serem acusadas de difamação e falsidade.

Opositores incômodos

Fethullah Gülen vive exilado nos Estados Unidos desde 1999. Ele disse que a repressão liderada por Recep Tayyip Erdogan era "dez vezes pior" que a adotada na Turquia depois do golpe militar de 1980.

Há quase um ano, investigações sobre corrupção visaram o círculo mais próximo de colaboradores de Erdogan, na época em que ocupava o cargo de primeiro-ministro. Segundo Erdogan, as investigações foram um complô armado contra ele por uma "estrutura paralela" formada pelos partidários de Güllen, presentes em grande número na justiça e na polícia.

A investigação levou à demissão de três ministros e obrigou Erdogan a fazer um grande remanejamento envolvendo juízes, policiais e promotores. Na sexta-feira, o presidente turco prometeu uma verdadeira caçada aos partidários de Güllen que ele qualifica de "terroristas" e "traidores".

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