Grécia/Economia

Eurogrupo marca reunião extraordinária sobre Grécia

WALTER ZERLA/ Getty images

Os ministros das Finanças da zona do euro devem se encontrar na próxima quarta-feira, em Bruxelas, para uma reunião extraordinária programada um dia antes do encontro de cúpula dos líderes europeus. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (6) pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, em sua conta no Twitter.

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O encontro é considerado uma oportunidade para o governo grego expor seu programa de reformas econômicas e de saneamento de suas contas públicas respeitando os compromissos firmados por governos anteriores.

As especulações sobre uma reunião extraordinária ganharam força nos últimos dias já que o programa de ajuda financeira à Grécia termina no final de fevereiro. Uma solução deverá ser encontrada para evitar a falência do país e suas repercussões negativas para todo o sistema financeiro.

Fontes diplomáticas entendem que não  foi uma boa ideia marcar uma reunião extraordinária do Eurogrupo diante das divergências demonstradas pelos governos durante o recente giro dos dirigentes gregos.

A União Europeia deverá defender uma extensão do programa de ajuda a Atenas. O novo governo grego de extrema-esquerda quer evitar essa solução, pois pretende se livrar da tutela e das exigências do trio de credores do país formado pela União Europeia, pelo FMI e pelo Banco Central Europeu.

Alemanha vai pressionar Grécia

Os alemães já indicaram que vão fazer pressão para a Grécia apresentar seu plano para pagar a dívida de €315 bilhões durante a reunião extraordinária do Eurogrupo. "Os gregos deverão apresentar sua estratégia em relação à dívida", anunciou hoje o porta-voz do ministério das Finanças da Alemanha.

A tensão aumentou entre a Grécia e seus parceiros europeus depois que o Banco Central Europeu (BCE) decidiu cortar um dos financiamentos ao sistema bancário do país. Uma fonte do governo grego, que pediu anonimato, considerou a decisão uma "chantagem" para forçar um novo acordo entre a Grécia e os credores do país.

Os dirigentes gregos reiteraram o compromisso de renegociar a imensa dívida do país, apesar de terem voltado de um giro pelas principais capitais europeias de mãos vazias. "Somos um país soberano, temos uma democracia, um contrato com nosso povo e vamos respeitá-lo", disse ontem o primeiro-ministro Alexis Tsipras durante sua primeira reunião com os dirigentes do partido Syriza após as vitórias nas eleições legislativas de janeiro.

Giro dos dirigentes não conquistou apoio esperado

Durante a semana, Tsipras e seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, passaram por Paris, Nicosia, Roma, Londres, Bruxelas, Frankfurt e Berlim para tentar conquistar apoio para o projeto de renegociação da dívida do país.

O giro começou com bem. O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e o presidente francês, François Hollande, concordaram em avançar nas discussões sobre o tema. Mas terminou mal após a passagem de Varoufakis por Berlim, onde o governo alemão, por meio do ministro das Finanças Wolfgang Schauble, deixou claro que não pretende renegociar a dívida da Grécia e expressou ceticismo sobre o plano de Atenas para reestruturar seus créditos junto aos credores. 

"Nem sequer entramos em acordo sobre o nosso desacordo", confessou o ministro grego das Finanças durante a coletiva ao lado do seu colega alemão.

Se o governo grego não conquistou a confiança de seus parceiros europeus, teve como consolo as manifestações de apoio da população. Milhares de pessoas foram às ruas de Atenas para demonstrar confiança no primeiro-ministro Alexis Tsipras e em seu gabinete.

Os contatos internacionais da Grécia prosseguem nesta sexta-feira com a visita a Atenas de uma delegação do Tesouro americano, liderada pelo secretário-adjunto para Assuntos Europeus, Daleep Singh.
 

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