Imigração/Cúpula

Especialistas estão pessimistas com propostas da UE para controlar imigração

Migrantes fotografados em um centro de detenção de clandestinos em Atenas, na Grécia.
Migrantes fotografados em um centro de detenção de clandestinos em Atenas, na Grécia. AFP PHOTO / Angelos Tzortzinis

Os líderes dos 28 países da União Europeia fazem um encontro extraordinário nesta quinta-feira (23), em Bruxelas, para debater o tráfico de pessoas no Mar Mediterrâneo. A reunião foi convocada após o naufrágio de uma embarcação, no último fim de semana, que fez cerca de 800 mortos. Imigrantes de várias nacionalidades, incluindo sírios, iraquianos e etíopes, tinham embarcado na Líbia com destino ao sul da Itália.

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Algumas das medidas que os líderes europeus devem adotar já são conhecidas. Os 28 estados membros do bloco vão reforçar as suas operações militares marítimas, como a captura e a destruição dos barcos utilizados pelos atravessadores.

Porém, alguns analistas veem apenas um jogo de cena nessas propostas. Eles afirmam que a maior parte das medidas são muito difíceis de serem colocadas em prática e que o projeto é praticamente o mesmo de 2013, que foi apresentado na sequência de um outro naufrágio.

O plano da época nunca foi concretizado. A ideia, por exemplo, de dar asilo a milhares de refugiados sírios encontra resistência em todos os países europeus. A proposta de controlar a costa da Líbia também é considerada quase impossível, devido ao clima de instabilidade política naquele país. 

Malta homenageia vítimas do naufrágio

Uma cerimônia para as 800 vítimas do naufrágio de domingo no Mediterrâneo aconteceu nesta quinta-feira em Malta, diante dos caixões dos 24 corpos que foram resgatados no mar. Os caixões de madeira foram colocados sobre um tapete vermelho em uma capela improvisada instalada no necrotério do hospital público Mater Dei.

O bispo da ilha de Gozo, monsenhor Mario Grech, e o imã Mohamed el-Sadi presidiram a cerimônia de 45 minutos, concluída com uma homenagem silenciosa. "Não conhecemos seus nomes, suas vidas, sabemos apenas que tentavam escapar de uma situação desesperada para encontrar a liberdade e uma vida melhor", disse Grech.

O bispo pediu a Deus que ilumine os que enfrentam "a difícil tarefa" de propor soluções para a "situação complexa" da imigração, no momento em que os dirigentes europeus fazem uma reunião extraordinária sobre essa questão em Bruxelas.

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