Grécia/Crise

Presidente do Parlamento Europeu quer o fim da "era Syriza", do premiê grego Tsipras

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. europarl.europa.eu

Com declarações duras e previsões sombrias, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional entraram com força no debate, nesta quinta-feira (2), sobre o referendo grego de domingo, do qual depende a sobrevivência do governo esquerdista de Atenas. O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, não fez rodeios e disse esperar uma vitória do "sim" no domingo, para que chegue ao poder "um governo de tecnocratas" e acabe "a era Syriza", o partido de esquerda do primeiro-ministro Alexis Tsipras.

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O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, declarou horas antes que o Executivo pode se demitir se ganhar o "sim" às propostas dos credores internacionais. Varoukafis disse que ao menos ele próprio "deixará de ser" ministro se o "sim" vencer.

Racha na coalizão grega

A campanha causou, ainda, o primeiro racha na coalizão do governo entre o Syriza e a direita soberanista dos Gregos Independentes (Anel). Um deputado do Anel, Constantinos Damavolitis, foi excluído do seu grupo parlamentar por se pronunciar a favor do "sim". "Estamos em guerra e não teremos indulgência. Os que não suportam a guerra, que saiam", disse o líder do ANEL e ministro da Defesa, Panos Kammenos, para justificar a decisão.

Os mercados internacionais e os credores do país (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) aguardam, ansiosos, o resultado do referendo. Nesta quinta-feira, o país vive o quarto dia de controle de capitais, com um limite na retirada em dinheiro dos caixas automáticos de € 60 por dia e por pessoa.

Os bancos fecharam na segunda-feira passada e deviam permanecer assim até 6 de julho, assim como a bolsa de Atenas. Na quarta-feira, no entanto, abriram as portas para que os aposentados pudessem tirar dinheiro sem cartão de crédito e, nesta quinta-feira, três entidades (Banco Nacional da Grécia, Banco do Pireu e Alpha) também abriram para os clientes que quisessem fazer depósitos ou efetuar pagamentos dentro da Grécia.

Campanha para o referendo

Enquanto isso, na televisão se sucediam os espaços dedicados ao "sim" e ao "não". Nas ruas de Atenas, era possível ver um cartaz agressivo com a foto do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, sob o lema: "Há 5 anos está sugando o seu sangue. Agora diga NÃO".

As manifestações também continuavam, com uma passeata do Partido Comunista, em Atenas, que levou às ruas 6 mil pessoas, segundo a polícia, e convocou os participantes a votarem nulo no referendo, em oposição ao governo. Ao mesmo tempo, 1,2 mil manifestantes anti-sistema protestaram em frente à universidade.

Em um país muito polarizado, o Conselho de Estado, a mais elevada jurisdição administrativa do país, examinará na sexta-feira a legalidade do referendo de domingo, após um recurso apresentado na quarta-feira por dois cidadãos.

Na terça-feira, a Grécia entrou em 'default' com o FMI ao não conseguir honrar o pagamento de uma parcela de € 1,5 bilhão com a instituição. No mesmo dia, expirou o plano europeu de assistência financeira ao país - na falta de acordo, seus parceiros decidiram não prolongá-lo.

Relatório do FMI

Em um relatório publicado nesta quinta-feira, o FMI disse que a Grécia precisará de uma nova ajuda de € 36 bilhões dos europeus nos próximos três anos. O fundo cortou drasticamente para baixo sua perspectiva de crescimento deste ano para a Grécia, dos 2,5% esperados em abril para 0%.

Perspectivas que "dão toda a razão ao governo grego" a propósito da dívida, que quer reestruturar para que a economia seja "viável", respondeu o porta-voz do Executivo, Gabriel Sakellaridis. Para Atenas, o objetivo do referendo é que o povo rejeite as "duras" condições exigidas pelos credores, "um passo decisivo para um acordo melhor", afirmou Tsipras na quarta-feira em discurso à nação.

Ao contrário, para muitos líderes da UE, o sentido da consulta está muito claro: saber se a Grécia quer ou não permanecer na zona do euro. "No caso do 'não' (...), a situação será muito difícil para a Grécia", advertiu Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo. Segundo uma pesquisa publicada nesta quarta-feira pela imprensa grega, a relação entre o "não" e o "sim" passou de 57%-30% para 46%-30%, com muitos indecisos.

Diante deste panorama, Alexis Tsipras exortou nesta quinta-feira os gregos "à unidade nacional" para "superar a dificuldade temporária" que o país atravessa e prometeu que, depois do referendo, a Grécia continuará "unida".
 

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