Grécia

Direto de Atenas: a um dia do referendo, o que pensam os partidários do “sim” e do “não”

Alexis Tsipras na manifestação do "não", na noite de sexta.
Alexis Tsipras na manifestação do "não", na noite de sexta. REUTERS/Yannis Behrakis

As respostas “sim” e “não” ao acordo com os credores fazem uma disputa acirrada na Grécia faltando 24 horas para o início da votação que pode decidir se o país seguirá ou não na Zona do Euro. É o que indicam tanto as pesquisas de opinião quanto a participação popular nas manifestações que levaram milhares às ruas na noite de sexta-feira (3). Segundo uma pesquisa, o “sim” leva vantagem de menos de um 1% sobre o “não”, mas ainda existem 11% de indecisos.

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Aabla Jounaïdi, enviado especial da RFI a Atenas.

Charlotte Stiévenard, correspondente da RFI em Atenas.

Os apoiadores do “não”, ou seja, da rejeição ao acordo proposto pelos credores da Grécia, levaram 25 mil pessoas à praça do Parlamento para demonstrar apoio ao primeiro-ministo Alexis Tsipras – ele próprio um defensor do “não”. Já do outro lado, os que dizem “sim” à proposta de acordo oferecida pelo Eurogrupo reuniram 22 mil apoiadores em frente ao estádio de Kallimarmaro, a apenas algumas ruas de distância.

Um Alexis Tsipras com ares triunfantes discursou para a massa composta por apoiadores antigos e jovens que votaram pela primeira vez em janeiro, com esperanças de dar fim à política de austeridade. O líder do partido de esquerda radical Syriza – que se elegeu com a promessa de realizar este referendo – reiterou seu apelo para que os gregos votem “não” neste domingo para mostrar “que queremos continuar na zona do Euro, mas com dignidade”.

Do lado do sim, medo do futuro

Mesmo tendo vivido uma semana complicada, com um calote configurado na terça-feira (30) e controle de capitais nos dias seguintes – o que dá uma certa ideia do que pode vir a acontecer com a Grécia em caso de rejeição ao acordo –, os apoiadores do “não” ainda creem em um pacto alternativo com o bloco econômico, mesmo que Bruxelas ou Berlim não tenham acenado com esta opção caso o atual plano seja rejeitado.

Na manifestação dos defensores do “sim” havia tantas bandeiras da Grécia quanto da União Europeia. Giannos, um bancário de 49 anos, diz que votará no “sim” para evitar que a situação econômica piore ainda mais, depois de uma semana de filas nos bancos e falta de dinheiro. “Esta semana foi um pesadelo. E eu prevejo que a próxima será pior. Temo pelo meu trabalho, temo que todos os nossos sonhos desapareçam”, diz Giannos.

Katerina Mamali veio com seu marido, um empresário que emprega 700 pessoas. Para ela, o referendo não é sobre as reformas exigidas pelos credores, mas sobre a presença da Grécia na Zona do Euro. “Acreditamos muito que devemos continuar na União Europeia. Estamos aqui por nosso futuro e pelo dos nossos filhos. Agora, o “sim” e o “não” estão empatados. É perigoso porque haverá uma divisão no país”, lamenta Katerina.
 

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