Grécia/Política

Gregos estão divididos em referendo sobre proposta de credores

Cartazes pedindo para votar "sim" ("nai) e "non" ("oxi") em um ponto de ônibus de Atenas.
Cartazes pedindo para votar "sim" ("nai) e "non" ("oxi") em um ponto de ônibus de Atenas. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Os gregos vão às urnas neste domingo (5) profundamente divididos no referendo convocado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras para dizer se aceitam ou não as exigências dos credores do país em troca de mais ajuda financeira, necessária para o país enfrentar a crise. As sondagens indicam empate técnico entre os partidários do "sim" e do "não".

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De quatro pesquisas de opinião, três dão vitória para o "sim" e uma para o "não", mas a diferença entre elas varia de 0,4 a 0,6 e também de apenas meio ponto percentual. Cerca de 10 milhões de eleitores deverão responder à seguinte pergunta: “A proposta submetida pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional durante o Eurogrupo de 25 de junho, deve ser aceita?”.

Muitos analistas e eleitores consideraram a pergunta muito técnica e pouco esclarecedora sobre o que realmente está em jogo. As urnas serão abertas das 8 hs às 19 hs, pelo horário local, (2h às 15 hs pelo horário de Brasília). O enviado especial da RFI à Atenas,  Aabla Jounaïdi, informa que para estimular os gregos a votarem, o governo decidiu oferecer transporte público de graça à população e reduziu em até 50 % os preços de passagens de trem.

Campanha acirrada

O sábado foi tranquilo nas ruas de Atenas, um dia depois de novas manifestações contra e a favor da proposta dos credores. Mais de 25 mil pessoas participaram de uma manifestação em favor do "não", como defende o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras. O chefe de governo mais uma vez pediu aos eleitores rejeitar as medidas de austeridade dos credores.

Segundo ele, a Grécia deve “viver com dignidade na Europa”. Os militantes pelo "sim" também compareceram em grande número, 22 mil segundo estimativas, e estiveram reunidos do outro lado do parlamento, também no centro de Atenas. Eles agitavam bandeiras da Grécia e da União Europeia.

Especialistas acreditam que o premiê grego quer o apoio popular para negociar em melhores condições um novo acordo com o trio de credores. Já os líderes europeus enxergam neste referendo uma disposição da Grécia de deixar a zona do euro.

A hipótese não está descartada, apesar de que o resultado do referendo não significa necessariamente a saída do país do bloco de 19 países que adotaram o euro. As vésperas da votação revelaram mais uma vez as tensões que persistem entre lideranças européias e as autoridades do governo grego de extrema esquerda. O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo afirmou que os credores europeus fazem "terrorismo " com o povo grego.

Já o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, diz que através do referendo o povo grego irá manifestar se quer ou não se manter na zona do euro. Ele acusa o governo de Aléxis Tsipras de não querer implementar reformas no país.

Diante de um cenário de muita indefinição, muitos gregos continuam a retirada de dinheiro dos caixas eletrônicos e em alguns supermercados da capital, moradores esvaziaram hoje as prateleiras de produtos de primeira necessidade como alimentos e produtos de higiene.

Rumores de confisco de dinheiro

Na madrugada deste sábado, o ministro Varoufakis usou o Twitter para divulgar um comunicado desmentindo o que ele considerou um "rumor maldoso" divulgado pelo britânico Financial Times. Uma reportagem do jornal afirma que contas dos gregos mais ricos, com mais de € 8 mil, terão 30% de seus depósitos confiscados para reforçar o sistema bancário do país.

Em comunicado, o presidente da Autoridade Bancária Europeia, Andrea Enria, também desmentiu hoje rumores de um projeto de emergência para reforçar o caixa dos bancos e evitar a quebra do sistema bancário da Grécia. Ele esclareceu que esse tipo de confisco é ilegal.
 

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