Grécia/Política

Grécia vai às urnas em referendo que pode decidir futuro do país na zona do euro

Alexis Tsipras votou na manhã deste domingo no referendo sobre as proposas do trio de credores da Grécia.
Alexis Tsipras votou na manhã deste domingo no referendo sobre as proposas do trio de credores da Grécia. AFP PHOTO / ARIS MESSINIS

As urnas da Grécia abriram neste domingo (5) às 8 hs pelo horário local, 2 hs em Brasília. Cerca de 10 milhões de gregos devem responder se aceitam ou não as propostas do trio de credores do país - a União Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI - em troca de novo empréstimo ao país. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, votou na manhã de hoje em Atenas e, muito sorridente, depositou seu voto "não" na urna.

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Reportagem: os gregos vão às urnas

Tsipras fez campanha até o último minuto para os gregos não aceitarem as exigências dos credores. Confiante de que vai sair vitorioso do referendo, o premiê fez novo apelo para os gregos e disse que "ninguém pode ignorar a mensagem de determinação de um povo que tem seu destino nas mãos".

“Estou confiante de que amanhã vamos abrir um caminho para todos os povos da Europa, um caminho de retorno para os valores fundamentais da democracia e da solidariedade na Europa, enviando uma mensagem forte, não só o desejo de permanecer na Europa, mas a viver com dignidade na Europa", disse ele na saída do local de votação.

A enviada especial da RFI a Atenas, Aabla Jounaïdi, encontrou dificuldades para identificar os eleitores gregos no local de votação de Tsipras tamanha a quantidade de jornalistas presentes para acompanhar o voto do primeiro-ministro. "A agitação, no entanto, não impediu muitos eleitores de encontrar sua seção eleitoral", destacou a enviada especial.

Eleitora grega na saída do local de votação.
Eleitora grega na saída do local de votação. REUTERS/Marko Djurica

Indecisos podem decidir votação

A mensagem de Tsipras é direcionada também aos cerca de 10% dos eleitores gregos que se disseram indecisos até a véspera da votação. Como as sondagens indicam um empate técnico entre o "sim" e o "não", com ligeira vantagem, que não passa de 1% para o "sim", o primeiro-ministro tem consciência que os indecisos é que vão decidir o resultado do referendo.

Em Metaxourgio, bairro popular de Atenas, onde a média de idade dos eleitores é considera elevada, a correpondente Charlotte Stiévenard, estimou que a participação era considerada “normal”. “Mas difícil de ter uma ideia se o ‘sim’ ou o ‘não’ vence no local, tamanha a indefinição do resultado”, afirma a jornalista da RFI.

O ministro das Finanças, Yannis Varoufakis também votou pela manhã em Atenas. Ontem, ele acusou os líderes europeus de fazerem “terrorismo” com o povo grego.

Pergunta pouco clara

A pergunta do referendo é considerada muito técnica e se refere às propostas feitas pelos credores no dia 25 de junho, durante as negociações com o Eurogrupo. Os gregos podem consultar o conjunto de propostas que foram feitas e podem ser consultados pela internet.

O plano proposto à Grécia combina uma redução de despesas públicas e aumento das receitas para o Estado. Entre as exigências formuladas estão uma reforma do sistema de aposentadoria, com aumento de 62 para 67 anos a idade mínima para o pedido do benefício, aumento do imposto sobre produtos para 23% e corte de despesas do governo, como por exemplo, redução de € 400 milhões para €200 milhões de euros nos gastos para a Defesa. O governo de extrema esquerda de Alexis Tsipras se recusa.

Mas o texto já ficou caduco porque o programa de ajuda à Grécia se encerrou no dia 30 de junho, sem um acordo. A questão de fundo, e que vem sendo martelada por várias lideranças europeias, é de que neste referendo o povo grego vai manifestar, na verdade, o desejo de manter ou não o país na zona do euro. O resultado não significa automaticamente uma saída do país do bloco de 19 países que adotaram a moeda única europeia.

Projeções logo após fechamento das urnas

Segundo analistas, o objetivo de Alexis Tsipras é voltar à mesa de negociações em Bruxelas nesta segunda-feira (6) com o apoio do povo grego e tentar negociar um novo acordo em condições mais favoráveis.

Mas caso o "sim" vença, o governo da esquerda radical sai enfraquecida, pode perder apoio e até cair. O ministro das Finanças já anunciou que vai se demitir do cargo caso o governo seja derrotado nas urnas. De qualquer forma, seja qual for o resultado, a Grécia deverá seguir negociando com os europeus e seus credores.

A votação termina às 19 hs pelo horário local, 13 hs pelo horário de Brasília. Há previsões de que as primeiras projeções já sejam divulgadas até duas horas depois do fechamento das urnas.

 

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