Grécia/Crise financeira

Líderes europeus elogiam plano apresentado por Atenas

O primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, discursa em Estrasburgo
O primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, discursa em Estrasburgo REUTERS/Vincent Kessler

Pela primeira vez desde a chegada do Syriza ao poder, uma proposta grega de reformas parece ter sido bem recebida pelos parceiros europeus. O plano, apresentado pelo premiê Alexis Tsipras na manhã desta quarta-feira (8) em Estrasburgo, na França, será detalhado amanhã e analisado pelos membros da zona do euro no sábado. A proposta já gerou declarações um pouco mais entusiasmadas de líderes europeus.

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O premiê espanhol, Mariano Rajoy, destacou a importância da carta enviada por Atenas ao Mecanismo Europeu de Estabilidade, que voltou a insistir sobre a necessidade de reestruturação da dívida mas, pela primeira vez, se dispôs a tocar nas aposentadorias dos gregos.

Para o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, as propostas são "equilibradas, positivas" e "mostram uma real vontade de avançar e (promover) reformas". De acordo com ele, é uma etapa importante que abre a via para o diálogo. Valls afirmou também que a decisão da França sobre um acordo passará pela vontade do Parlamento e voltou a defender a permanência da Grécia na zona do euro.

Efeito dominó

Ele lembrou que isso não se restringe à esfera econômica: é uma questão geopolítica da maior importância, dadas as relações gregas com a Turquia e a Rússia, além do problema da imigração pelo Mediterrâneo em direção à Europa, que tem na Grécia um dos seus principais portos de chegada.

Valls advertiu, no entanto, que Atenas "tem que querer se ajudar". Quanto as bases para um acordo completo, ele cita três pontos: "modernizar e redirecionar a economia", "estabelecer um estado eficaz" e "dar uma perspectiva clara sobre o tratamento da dívida".

Manutenção da ajuda

A proposta de Tsipras também serviu para que o Banco Central Europeu (BCE) decidisse manter em cerca de 89 bilhões de euros o nível da assistência de liquidez de emergência. Essa ajuda é essencial para que os bancos gregos voltem a funcionar normalmente. Desde o impasse nas negociações, há dez dias, as agências estão fechadas e os saques, limitados a € 60 diários por pessoa.

Caso um acordo não seja alcançado até domingo, essa ajuda será cortada e a economia grega pode colapsar, o que teria graves consequências não só para a Europa, mas para o mundo inteiro, como advertiu hoje o secretário do Tesouro americano, Jack Lew. Para Christian Noyer, um dos governadores do BCE, o caos se instalaria nesse caso.

Na noite de quarta-feira, o ministério grego das Finanças informou que os bancos continuarão fechados até a próxima segunda-feira.

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