Grécia/Crise

Veja lista de exigências para que Grécia obtenha novo plano de resgate da UE

O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem.
O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem. REUTERS/Yves Herman

Os ministros das Finanças da zona do euro elaboraram uma lista de exigências à Grécia que está sendo discutida pelos 19 líderes da união monetária na cúpula iniciada na tarde deste domingo (12), em Bruxelas. "Percorremos um longo caminho [...] mas ainda há questões importantes para serem resolvidas", disse o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem. "Cabe agora aos líderes encontrar os termos de um acordo", resumiu por sua vez Pierre Moscovici, o comissário europeu para Assuntos Econômicos.

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O ministro das Finanças finlandês, Alexander Stubb, que faz parte do grupo de países inflexíveis em relação à Grécia, declarou em sua conta no Twitter que "muito progresso foi feito para o desenvolvimento desse roteiro".

Entre as exigências apresentadas pelo Eurogrupo a Atenas, o Parlamento grego deve votar até 15 de julho, quarta-feira, uma primeira parte das medidas de austeridade prometidas pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras. A esquerda radical, que apoia o governo Tsipras, deve aceitar "condições duras de reforma do mercado de trabalho, do sistema de pensões e de tributação da TVA", o imposto do valor agregado cobrado na venda de mercadorias e serviços, explicou uma fonte europeia.

O texto elaborado pelos ministros também inclui, entre as opções, a proposta alemã de criação de um fundo de US$ 50 bilhões composto por ativos gregos obtidos com o programa de privatizações. Esse fundo funcionaria como uma espécie de garantia para o novo plano de resgate que é pedido pelos gregos.

Opções entre parênteses

O Eurogrupo trabalhou em "um documento com palavras entre parênteses", que devem ser preenchidas pelos líderes, disse uma fonte próxima das negociações.

Se os gregos aceitaram as condições finais que estão sendo colocadas, a zona euro daria sinal verde à abertura de novas negociações entre Atenas e os credores visando um terceiro pacote de ajuda de cerca de € 74 bilhões em três anos. Mas "é provável que o sinal verde final só ocorra depois da votação, nesta segunda-feira, no Parlamento grego, de uma série de ações anteriores", disse uma fonte europeia.

Uma versão anterior da lista de exigências preparada pelos ministros também incluía uma segunda ideia alemã, prevendo a saída temporária da Grécia da zona do euro por um período de cinco anos, acompanhada de uma reestruturação da dívida grega. No entanto, esta opção foi excluída do documento apresentado aos líderes, explicou um diplomata europeu.

As negociações em Bruxelas são tensas pelo alto grau de exigências feito pela Alemanha, Finlândia, Eslováquia, Áustria e Holanda, grupo de países que perdeu a paciência e a confiança no governo grego.

EUA em contato com Tsipras

Alexis Tsipras conversou por telefone de Bruxelas com o secretário do Tesouro americano, Jack Lew. Tsipras insisitiu que um acordo com os parceiros europeus deve respeitar os gregos.

Ao chegar à reunião, o presidente francês, François Hollande, disse que a França "fará o possível para obter um acordo [ainda hoje] que permita aos gregos ficar na zona do euro".

Mas a posição de Hollande bate de frente com a da chanceler alemã, Angela Merkel, que lidera um grupo de países defensores de uma política ortodoxa em relação a Atenas. Merkel advertiu que não haverá acordo "a qualquer preço".

(Com informações da AFP)

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