Grécia/Zona do euro

Líderes da zona do euro cogitam pela 1ª vez possibilidade de exclusão da Grécia

Alexis Tsipras (d) conversa com Angela Merkel e François Hollande
Alexis Tsipras (d) conversa com Angela Merkel e François Hollande Reuters

Os líderes da zona do euro cogitam a possibilidade de a Grécia sair provisoriamente da união monetária e exigem que o país abra mão de parte de sua soberania. Um documento elaborado pelos ministros das Finanças do bloco e entregue aos chefes de Estado e governo reunidos em Bruxelas, sugere, como alternativa a outra ajuda financeira, que o país seja suspenso por um tempo determinado para poder reestruturar sua dívida. Essa é a primeira vez que a saída da Grécia - ou Grexit - é evocada diretamente.

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A sugestão aparece entre colchetes, para indicar que não foi aceita por todos os membros. Aliás, o número de colchetes no documento indica o quão dividida terminou a reunião da eurozona ontem: são nada menos que onze as passagens destacadas. Não há consenso sobre a possibilidade de reestruturação da dívida, mas uma redução pura e simples foi descartada. Se houve um ponto pacífico foi o montante de um eventual terceiro plano de resgate, que deve ficar entre 82 e 86 bilhões de euros.

Exigências

Mas, para isso, Atenas precisa "reconquistar a confiança" dos parceiros. O que, para o Eurogrupo, significa que a Grécia tem até quarta-feira para passar uma lei que permita duras reformas no mercado de trabalho, no sistema de pensões e aposentadorias e do imposto sobre mercadorias e serviços. Como condição prévia, essas reformas obrigam a Grécia a esperar ao menos 24h pela liberação do aporte.

Quatro exigências afetam diretamente a soberania grega: aumento das privatizações, redução da máquina pública, maior vigilância internacional sobre as atividades econômicas e a determinação de que certos projetos de lei sejam submetidos ao Banco Central Europeu, à Comissão Europeia e ao FMI antes de passar pelo Parlamento. Uma fonte grega informou que Atenas recebeu "muito mal" a proposta do Eurogrupo, mas trabalha para encontrar uma solução.

Caso um acordo seja encontrado, a Grécia quer um sinal verde para receber o resgate o mais rápido possível, dada a gravidade da situação de seus bancos. Há mais de dez dias, as agências do país estão fechadas e os saques limitados a € 60 diários por pessoa. "Não podemos esperar" até quarta-feira, como propõe o Eurogrupo, afirmou a mesma fonte. "Se esperarmos, não temos mais liquidez suficiente (fornecida às instituições gregas pelo BCE) do Banco Central Europeu e a situação já é grave. Quinta-feira será tarde demais".

Estratégia do medo

A possibilidade de os gregos saírem temporariamente da zona do euro foi levantada no sábado pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble. Ele é, ao lado do presidente do eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, o principal defensor da linha dura diante da Grécia.

Em artigo publicado no sábado no diário inglês The Guardian, o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis acusou Schauble de tentar usar uma possível expulsão da Grécia como forma de amedrontar outros membros - principalmente a França, que está engajada na luta pela permanência grega - e forçá-los a aceitar uma União Europeia disciplinadora, sob o comando da mão de ferro alemã.

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