Grécia/ crise

Sem apoio do partido de Tsipras, Grécia aprova plano de reformas

Discurso do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, durante sessão plenária em Atenas, Grécia 16 de julho de 2015.
Discurso do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, durante sessão plenária em Atenas, Grécia 16 de julho de 2015. REUTERS/Alkis Konstantinidis

O parlamento grego aprovou, na madrugada desta quinta-feira (16) uma série de duras reformas apresentadas como condição pelos credores da Grécia para o país negociar um novo plano de ajuda financeira. O texto passou por 229 votos a favor e 64 contra. Seis deputados se abstiveram da votação.

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Os parlamentares que se opuseram ao projeto evocaram, principalmente, as altas do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e a reforma das aposentadorias como sendo os pontos mais problemáticos do acordo firmado com os europeus. Entre os opositores, estão o ex-ministro da Economia Yanis Varoufakis e a presidente do parlamento, Zoé Konstantopoulou.

Pelo menos 32 deputados do Syriza, o partido de esquerda radical do Tsipras, rejeitaram as reformas. O governo contou, porém, com os votos favoráveis do aliado partido populista de direita ANEL, assim como da oposição.

A apresentação do texto na Casa provocou tensões no Syriza antes mesmo de ir à votação. A deputada e ministra-adjunta da Economia, Nadia Valavani, renunciou ao cargo, depois de entregar uma dura carta a Tsipras. Ela disse que a solução que foi imposta, “de uma forma tão deprimente”, não é viável nem para a Europa nem para o povo grego.

Fechamento dos bancos permanece

O premiê já deu a entender que os bancos, fechados desde 29 de junho, poderão não reabrir por pelo menos um mês, até o acordo final sobre o terceiro resgate. Os Estados-membros da zona do euro exigiram que a Grécia adote as primeiras medidas antes de acertar um terceiro plano de ajuda, de pelo menos € 80 bilhões, por três anos.

Durante a defesa das reformas, Tsipras voltou a afirmar que não concorda com as medidas, mas insistiu que o país “é obrigado a aceitá-las”. As alternativas seriam “um default caótico da Grécia ou a exclusão, ainda que temporária, da zona do euro”. Essa solução é defendida pela Alemanha.

Ministro continua a defender “Grexit”

Apesar da aprovação do projeto na Grécia, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble voltou a defender a saída temporária de Atenas da moeda única europeia, nesta quinta-feira. Ele assegurou, entretanto, que vai pedir “com convicção total” que o parlamento alemão aprove o acordo, na votação prevista para sexta-feira (17). Os deputados de vários países europeus vão se pronunciar sobre o acerto, que envolve fundos do bloco, financiados pelos Estados-membros.

“Nós ultrapassamos uma etapa importante”, declarou, em entrevista à rádio Deutschlandfunk. O ministro explicou que a Grécia terá muita dificuldade para honrar as dívidas sem o perdão de uma parte do valor devido, mas ressaltou que isso seria “incompatível” com os tratados da zona do euro. Por essa razão, alegou que a alternativa mais adaptada seria o afastamento provisório do país da moeda única. “Seria provavelmente a melhor via para a Grécia.”

O acordo já foi ratificado pela França, nesta quarta-feira (15). O texto ainda deve ser votado pela Finlândia, Alemanha, Estônia e Áustria, entre outros. O documento reforça a austeridade rejeitada pela população em referendo convocado pelo premiê e realizado em 5 de julho passado. Uma pesquisa do instituto Kapa Research revelou que, mesmo bastante divididos quanto aos termos do acordo, 70,1% dos gregos consideram que o Parlamento deve adotá-lo.

Protestos deixam feridos

Além de transcorrer em um ambiente bastante tenso, a votação na Grécia foi precedida por protestos reprimidos com gás lacrimogêneo pela polícia, do lado de fora do parlamento. No início do debate parlamentar, manifestantes lançaram coquetéis molotov e pedras contra a polícia, que respondeu com violência, na praça Syntagma, a poucos metros do Congresso.

Depois de uma manifestação de cerca de 12 mil pessoas contrárias ao acordo, vários jovens mascarados e com capacete enfrentaram a polícia. Os agentes responderam com gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Caixas eletrônicos também foram destruídos.

No bairro turístico de Plaka, aos pés da Acrópole, houve mais confrontos entre policiais e jovens, que atearam fogo em pelo menos dois veículos. Perto da estação de metrô Acrópole, pontos de ônibus e vitrines de lojas também foram danificados.

Quatro policiais e dois fotógrafos da AFP ficaram levemente feridos. Segundo a polícia, 40 pessoas foram detidas.

Com informações AFP
 

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