Grécia/Parlamento

Tsipras pressiona deputados do Syriza e ameaça adiantar legislativas

Primeiro-ministro Alexis Tsipras durante sessão no parlamento grego.
Primeiro-ministro Alexis Tsipras durante sessão no parlamento grego. REUTERS/Alkis

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, declarou nesta quarta-feira (29) que convocará eleições legislativas antecipadas se não recuperar a maioria parlamentar perdida nas últimas votações sobre as reformas exigidas pelos credores do país. "Se não tivermos maioria parlamentar, seremos obrigados a convocar eleições antecipadas", afirmou em entrevista à rádio Sto Kokkino.

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O premiê espera convencer os deputados que se opõem ao acordo assinado com os credores a apoiarem as próximas medidas do plano de ajuste.

Negociação sem fim

A Grécia recebeu na segunda-feira (27) os representantes de seus credores, com os quais começou a negociar um terceiro plano de resgate para o país. A relação entre as duas partes é tensa e a comunicação entre elas também não anda muito boa. Prova disso foram os anúncios divergentes sobre quando as negociações começariam.

Atenas está pressionada por seus credores: a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE). Até 20 de agosto, eles devem fechar o terceiro plano de resgate, estimado entre € 82 e € 86 bilhões, conforme firmado na cúpula europeia de 12 e 13 de julho.

Com os cofres vazios, a Grécia espera receber, antes do dia 20, um primeiro pagamento de mais de € 3 bilhões do BCE. Isso implica em definir, em apenas três semanas, as reformas prioritárias a serem executadas, fixar o calendário de pagamentos, encontrar um acordo sobre os objetivos fiscais da Grécia, obter a aprovação das três instituições credoras e de vários políticos que devem se pronunciar, além de submeter ao Parlamento grego as decisões adotadas.

Bruxelas desmente ex-ministro grego Varoufakis sobre "plano B"

Na terça-feira (28), a Comissão Europeia negou as declarações do ex-ministro grego de Finanças Yanis Varoufakis, que afirmou que os credores da Grécia também controlam a agência de tributação do país. Varoufakis deu essa declaração durante uma teleconferência com investidores londrinos. Nela, disse que criou secretamente um sistema monetário paralelo, hackeando os computadores da administração fiscal grega, controlada, segundo ele, pelos credores do país."As alegações de que a troika controla a administração fiscal são falsas e sem fundamento", disse a porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva.

Yanis Varoufakis revelou, em meados de julho, que trabalhou em segredo durante semanas, mas com a autorização do primeiro-ministro, na criação de um "sistema bancário paralelo" que hackeava um programa do órgão fiscal grego. O ex-ministro justificou a pirataria afirmando que a administração fiscal grega está sob o controle dos credores do país.

Se pudesse utilizar o mecanismo paralelo de pagamento, que serviria para qualquer operação (impostos, pagamentos a fornecedores etc), Varoufakis evitaria um colapso imediato da economia. Ele renunciou ao cargo de ministro da Economia em 6 de julho, dia seguinte à vitória do "não" no referendo sobre as condições exigidas pelos credores do país.

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