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Alemanha/Imigração

Alemanha recebe recorde de imigrantes e xenofobia cresce no leste do país

Imigrantes no acampamento de Dresden, na Alemanha, em foto de 29 de julho de 2015.
Imigrantes no acampamento de Dresden, na Alemanha, em foto de 29 de julho de 2015. OLIVER KILLIG / DPA / AFP
Texto por: RFI
3 min

A Alemanha deve receber um número recorde de 750 mil pedidos de asilo neste ano, estimou nesta terça-feira (18) o jornal Handelsblatt, citando fontes governamentais. O número é quase o dobro da última estimativa e foi divulgado no mesmo dia em que um relatório governamental apontou um importante aumento da violência contra os imigrantes no leste do país. Mais pobres e atrasados do que os vizinhos do oeste, os estados da antiga Alemanha Oriental são responsáveis por quase metade dos crimes raciais.

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O ministério do Interior se recusou a comentar a previsão do diário, mas deve divulgar uma nova estimativa nesta semana. Os últimos dados estimavam que 450 mil pessoas deveriam pedir asilo em 2015, o que já significava duas vezes o número registrado no ano passado.

A Alemanha é tradicionalmente o país que mais recebe pedidos de asilo na União Europeia. Mas o número tem aumentado exponencialmente com o grande afluxo de pessoas que fogem da guerra, da pobreza e da violência na Síria, Iraque, Líbia, Eritreia ou em outros países da África subsaariana, do Oriente Médio e dos Bálcãs. Esses últimos são particularmente numerosos: quase metade dos refugiados que entraram na Alemanha no primeiro semestre vinha do sudeste da Europa.

Violência xenófoba

Com o aumento da chegada dos imigrantes, cresce também a hostilidade e a violência xenófobas: nos seis primeiros meses do ano, foram registrados 150 incêndios criminosos e outros tipos de ataques contra abrigos para pessoas que aguardam a análise de seus pedidos de asilo.

É quase a mesma quantidade do ano passado inteiro. No final de julho, neonazistas invadiram um acampamento organizado pela Cruz Vermelha para receber cerca de 800 refugiados, principalmente sírios. A chanceler Angela Merkel e presidente Joachim Gauck pediram recentemente que os alemães lutem contra a intolerância e a xenofobia.

Leste xenófobo

Mas, de acordo com um relatório divulgado também nesta terça-feira pelo governo alemão, os crimes racistas cresceram quase 40% no leste do país no último ano. Os dados, que incluem ataques contra imigrantes, mas também a violência contra cidadãos alemães de origem estrangeira, mostram uma disparidade muito grande entre o leste e o oeste, apesar dos 25 anos de reunificação.

Mesmo contabilizando apenas um quinto da população, o leste - que inclui parte de Berlim e estados da antiga Alemanha Oriental - foi o palco de quase metade dos crimes raciais. Em números absolutos, 61 das 130 agressões registradas aconteceram no leste.

Um exemplo do crescimento da xenofobia na região é a popularidade do movimento islamofóbico PEGIDA (Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente). A organização conseguiu reunir mais de 25 mil pessoas em uma manifestação nas ruas de Dresden, no início do ano.

Passado um quarto de século da queda do muro de Berlim, o lado oriental continua atrás do oeste economicamente, com altas taxas de desemprego e cidades esvaziadas pela procura por trabalho em outras regiões.

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