União Europeia/Crise migratória

Líderes da UE discutem difícil cooperação com Turquia sobre crise migratória

O Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker (d), e o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz durante coletiva que antecede a reunião dos líderes da UE.
O Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker (d), e o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz durante coletiva que antecede a reunião dos líderes da UE. REUTERS/Yves Herman

Os líderes dos 28 países da União Europeia se reúnem nesta quinta-feira (15) em Bruxelas para discutir a crise dos refugiados, a guerra na Síria e o referendo programado para 2017 no Reino Unido sobre a permanência ou não dos britânicos no bloco europeu.

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O apoio financeiro à Turquia, país na rota do recente fluxo migratório à Europa, estará no centro dos debates em Bruxelas. Grande parte dos migrantes que chegaram ao bloco este ano estavam em campos de refugiados turcos. Outros 2 milhões de sírios continuam no território turco aguardando uma oportunidade de migrar para a Europa. O bloco tem urgência em obter a cooperação do presidente turco, Recep Tayyp Erdogan, para conter o êxodo sírio.

Os europeus querem que a Turquia continue a acolher os refugiados e facilite a integração desses novos habitantes. Eles pedem também que Ancara reforce o patrulhamento nas fronteiras terrestres e marítimas.

Concessões

Para convencer o governo turco, os europeus podem liberar uma ajuda de € 1 bilhão ao país, mas o presidente turco aproveita o clima de crise para fazer outras exigências. Além de mais dinheiro, Erdogan quer o fim dos vistos para os turcos que viajam à Europa, exige reuniões de cúpula mais frequentes com o bloco e discussões avançadas sobre a adesão da Turquia à União Europeia, um assunto espinhoso e não consensual.

Para demonstrar sua boa vontade, a Europa aceitou discutir a proposta de Erdogan de estabelecer uma "zona de segurança" ao longo da fronteira com a Síria. Mas essa ideia, que permitiria a Ancara aumentar a pressão sobre as milícias curdas que enfrentam o grupo Estado Islâmico na região, tem pouquíssima possibilidade de concretização. Isso porque a Rússia, que entrou recentemente na guerra, rejeita formalmente esse "santuário" turco militarizado.

Interesses eleitoreiros

Se as negociações já estavam difíceis, elas se complicaram ainda mais depois do atentado suicida que matou 99 militantes pró-curdos em Ancara no último sábado. O ataque lançou uma nova onda de críticas contra o presidente turco, que é acusado de estimular o ódio contra os curdos e promover a divisão interna com objetivos eleitorais.

No dia 1° de novembro, acontecem as eleições legislativas antecipadas na Turquia. Desde que perdeu a maioria no Parlamento para o HDP, nas eleições parlamentares de junho, e viu afundar seu projeto de proclamar o presidencialismo no país, o chefe de Estado trava uma guerra política contra a esquerda, numa tentativa de reconstruir sua base parlamentar no próximo pleito.

Os europeus temem que Recep Erdogan utilize eventuais concessões europeias como trunfo eleitoral. Para o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ceder às vontades da Turquia "só faz sentido se isso reduzir efetivamente o fluxo de migrantes". O diplomata reitera que "a principal coisa que pedimos é que eles continuem a acolher os refugiados, com nossa ajuda".

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