Maioria dos suspeitos de agressão em Colônia são refugiados

Artista Milo Moire com um cartaz escrito: "Respeite-nos!" em frente à Catedral de Colônia.
Artista Milo Moire com um cartaz escrito: "Respeite-nos!" em frente à Catedral de Colônia. Oliver Berg / dpa / AFP

Segundo o governo alemão, a maioria dos suspeitos identificados até agora pelos atos de violência na noite de Ano Novo em Colônia, na Alemanha, é de refugiados. As informações divulgadas pelo Ministério do Interior nesta sexta-feira (8) indicam que 18 dos 31 suspeitos investigados são estrangeiros candidatos a asilo político.

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O grupo inclui nove argelinos, oito marroquinos, quatro sírios, cinco iranianos, um iraquiano e um sérvio, segundo explicou o porta-voz do ministério. Eles são acusados de ter participado da onda de violência contra quem celebrava a virada do ano, molestando mulheres e praticando roubos.

Mas a situação da investigação alemã continua confusa. Do lado federal, o ministério não considera os envolvidos suspeitos de agressão sexual, nem menciona prisões na noite de Ano Novo. Do lado da polícia de Colônia, há 120 queixas registradas contra 16 suspeitos, sendo três quartos das denúncias por violências sexuais. A falta de comunicação entre as duas esferas impede que se se chegue a números mais precisos.

A polícia local diz que um marroquino e um tunisiano, de 16 e 23 anos, foram presos com telefones celulares nos quais foram encontradas cenas de agressão sexual na noite de Ano Novo.

Debate nacional

O debate nacional se concentra na presença de refugiados entre os autores dos crimes, já que o país recebeu em 2015 um número recorde de 1,1 milhão de candidatos a asilo. O deputado social-democrata Thomas Oppermann disse nessa sexta-feira que é preciso “reduzir sensivelmente este número”. “Não podemos receber 1 milhão de pessoas a cada ano”, afirmou.

Um dos porta-vozes da chanceler Angela Merkel, George Streiter, pediu que não se culpe os refugiados. “Não é um problema de refugiados, é um problema de criminalidade”, afirmou. Ele também lembrou que as populações recém-chegadas à Alemanha vieram em busca de proteção.

Tanto políticos conservadores quanto social-democratas pressionam o governo Merkel para que endureça as medidas de punição, como um recado claro para os novos habitantes sobre as regras de convivência no país. “Precisamos de mais policiais, de uma justiça melhor aparelhada e de leis mais duras para expulsar estrangeiros criminosos”, declarou hoje Volker Kauder, chefe do grupo parlamentar do partido conservador CDU à revista Der Spiegel.

A lei alemã atual exige uma condenação de no mínimo três anos para que se possa expulsar um estrangeiro durante o tempo em que sua candidatura ao asilo é examinada.

(Informações da AFP)

 

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