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Rerino Unido/ União Europeia

Desafio de Cameron agora é convencer britânicos a ficar na UE

Primeiro-ministro David Cameron falou à imprensa em frente ao 10, Downing Street, em Londres.
Primeiro-ministro David Cameron falou à imprensa em frente ao 10, Downing Street, em Londres. REUTERS/Toby Melville
Texto por: RFI
5 min

 O primeiro-ministro britânico, David Cameron, começa a enfrentar neste sábado (20) o desafio de convencer seus ministros e a população britânica em geral da conveniência de votar em favor da permanência do país na União Europeia, no referendo que o país vai realizar em 23 de junho. A data foi anunciada pelo premiê, poucas horas depois de conseguir concessões dos europeus para que os britânicos continuem fazendo parte do bloco.

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 O líder britânico reiterou que o Reino Unido será "mais forte, mais seguro e mais próspero dentro de uma União Europeia reformada", durante uma breve alocução em Downing Street, a sede do governo, em Londres. Segundo Cameron, a consulta será "uma das decisões mais importantes do país", e, defendendo o "sim", o premiê ressaltou que as concessões obtidas por ele dos líderes europeus na sexta-feira darão aos britânicos "o melhor dos dois mundos".

"A decisão é sobre o tipo de país que queremos ser", afirmou Cameron, que advertiu aos partidários da saída do bloco que o que estão propondo "é um risco em um momento de incerteza e um salto no vazio". "Deixar a Europa ameaçaria a nossa segurança econômica e nacional", sustentou o líder conservador.

Campanha difícil pela frente

Na segunda-feira, o primeiro-ministro vai falar no Parlamento, que deve aprovar formalmente a data da consulta. O anúncio da data marca o início de uma campanha difícil. De acordo com as pesquisas realizadas até agora, a metade dos britânicos deseja continuar na União e a outra metade quer abandoná-la.

Apesar de o acordo ter sido recebido com ceticismo pela imprensa conservadora, Cameron recebeu neste sábado um apoio importante de sua ministra do Interior, Therese May. "A Europa está longe de ser perfeita e este acordo deve fazer parte de um processo permanente de mudança e reforma. (...) Mas por razões de segurança, de proteção contra o crime e o terrorismo, de comércio com a Europa e acesso aos mercados mundiais, o interesse nacional deve ser o de permanecer membro da UE", declarou May, em um comunicado.

Cinco ministros já anunciaram a vontade de fazer campanha pelo que seria a primeira saída de um país da União Europeia, começando pelo ministro da Justiça, Michael Gove. O chefe de Governo, porém, prometeu defender vigorosamente o "sim".

"Farei campanha com todo o meu coração e toda a minha alma para convencer o povo britânico de que devemos seguir na União Europeia reformada que conseguimos", declarou Cameron a repórteres, na sexta à noite. Ele explicou que, no âmbito do acordo, o Reino Unido não terá que financiar os países da zona euro que passarem por graves crises; suas empresas não serão discriminadas por não utilizarem o euro; os britânicos terão novos poderes para deportar criminosos europeus que entrarem no país e poderão limitar a sete anos alguns benefícios sociais aos imigrantes.

Imprensa conservadora cética

A imprensa britânica de direita não parecia muito convencida a respeito do acordo. Segundo The Times, Cameron "não tem muita escolha a não ser voltar aos velhos argumentos sobre os interesses britânicos de tentar reformar a Europa internamente, em vez de se submeter aos rigores desconhecidos da independência total".

Já The Guardian, de centro-esquerda, considerou "um pacote prático" que "não pode ser reduzido a uma farsa". O jornal proclamou o seu apoio a uma permanência do país na UE "aconteça o que acontecer" e pede para os eleitores analisarem "muito a sério" as reformas.

O drama parece estar apenas começando para Cameron, que enfrentará não só uma imprensa hostil, mas também a oposição de alguns eurocéticos dentro de seu partido. Anand Menon, professor de política europeia do King's College London, espera que ambos os lados insistam sobre os riscos de deixar a União ou seguir com este status quo. "Vai ser uma campanha de um pessimismo deprimente", declarou o professor à AFP.

A chanceler alemã, Angela Merkel, chamou de "compromisso justo" o acordo alcançado com o Reino Unido. Já os presidentes francês, François Hollande, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, negaram que Londres tenha ganhado o privilégio de frear uma maior integração da zona do euro.

"Hoje, o Reino Unido tem um lugar especial na Europa, mas não houve qualquer violação das regras do mercado único e não há nenhuma revisão prevista aos tratados nem direito de veto na zona do euro", disse Hollande numa coletiva de imprensa em Bruxelas.

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