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Linha Direta

Como na Espanha, conservadores da Irlanda vão negociar com partidos menores

Áudio 03:36
O partido do primeiro-ministro Enda Kenny obteve, até o momento, 47 cadeiras do Parlamento,30 a menos dos assentos que tinha conquistado em 2011, quando assumiu o poder.
O partido do primeiro-ministro Enda Kenny obteve, até o momento, 47 cadeiras do Parlamento,30 a menos dos assentos que tinha conquistado em 2011, quando assumiu o poder. REUTERS/Clodagh Kilcoyne

Os dois principais partidos da Irlanda começam, nesta segunda-feira (29), a negociar com as legendas menores para tentar formar um governo para o país. Os irlandeses foram às urnas na última sexta-feira e até agora, com a maioria dos votos apurados, nenhum grupo conseguiu a maioria necessária no Parlamento para assumir a liderança do país no dia 10 de março.

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Maria Luisa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O partido Fine Gael, do primeiro-ministro Enda Kenny obteve, até o momento, 47 cadeiras do Parlamento – apenas quatro a mais do que o principal rival, o Fianna Fail, ou Partido Republicano. Ainda não é possível dizer qual deles conseguirá a maioria necessária para formar o governo. Esta eleição significou, principalmente, um grande abalo para o partido governista, que perdeu quase 30 dos assentos que tinha conquistado em 2011, quando assumiu o poder.

Em uma aliança com o Partido Trabalhista, o Fine Gael governou com a mais ampla maioria já vista na história do Parlamento irlandês. Desta vez, os trabalhistas conseguiram apenas seis cadeiras, até o momento. No sábado, o primeiro-ministro Enda Kenny reconheceu que não recebeu dos eleitores o aval para seguir com essa liderança. Mas disse que, como primeiro-ministro, tem a responsabilidade de dar ao país um governo estável e que está analisando as opções que tem pela frente nos próximos dias.

Já o Partido Republicano, que governou a Irlanda por 20 anos, entre 1987 e 2007, está comemorando a reconquista de assentos e tem esperanças de voltar ao poder. Os dois partidos têm uma rivalidade desde os tempos da Guerra Civil irlandesa, mas essencialmente são formações conservadoras e mais de direita. Apesar de não serem tão diferentes ideologicamente, e de muitos políticos defenderem uma aliança entre os dois, ambos os lados descartam essa possibilidade, pelo menos por enquanto.

Sinn Féin recusa alianças

Outro partido muito importante no cenário político irlandês é o Sinn Féin, que tem uma linha mais nacionalista e que, durante muitos anos, foi visto como o braço político do IRA, o Exército Republicano Irlandês. Eles foram os terceiros colocados nesta eleição, conquistando 22 cadeiras no Parlamento – muito mais do que eles tiveram nos últimos 30 anos. Antes das eleições, o líder do partido, Gerry Adams, afirmou repetidamente que não se aliaria a nenhum dos outros partidos e que seu objetivo é liderar o governo.

Como eles também não conseguiram a maioria necessária para formar essa liderança, o que os analistas políticos dizem é que o mais provável é que o Sinn Féin acabe se tornando a maior força da oposição. O partido é quem detém o governo regional da Irlanda do Norte. Mas não foi desta vez que eles conseguiram realizar o sonho de ter o poder dos dois lados da fronteira.

Parlamentares tomam posse dia 10 de março

Os líderes dos dois principais partidos estão agora de olho nos deputados de partidos menores ou que se elegeram sem partido, que, juntos, conquistaram 20 cadeiras do Parlamento. São políticos que vêm, em sua maioria, das regiões rurais da Irlanda e que se elegem por defenderem suas comunidades a nível nacional. Cada um adota uma linha ideológica e, por isso, ainda não é possível prever com qual partido eles devem se juntar – ou mesmo se vão se juntar a algum partido. Os parlamentares tomam posse no dia 10 de março e devem ali votar para tentar eleger um primeiro-ministro. No entanto, a formação do governo ainda pode demorar até o fim do mês para ser definida.

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