Crise dos refugiados

Hollande pede que crianças de Calais reencontrem parentes no Reino Unido

Dois adolescentes originários do Kuwait se aquecem em fogueira no acampamento de migrantes de Calais, no norte da França.
Dois adolescentes originários do Kuwait se aquecem em fogueira no acampamento de migrantes de Calais, no norte da França. Pascal Rossignol/Reuters

O presidente francês, François Hollande, pediu nesta quinta-feira (3) ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, que os migrantes menores de idade que vivem sozinhos no acampamento de Calais sejam enviados ao Reino Unido para encontrarem suas famílias. Os dois líderes se reuniram em Amiens, no norte da França, para conversar sobre a crise dos refugiados.

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"Nós estamos acompanhando esses menores de idade e fomos claros com o primeiro-ministro britânico. Se esses jovens tiverem familiares no Reino Unido, eles devem reencontrar seus parentes no país. Isso deve ser feito da forma mais eficaz e mais rápida possível", disse Hollande durante uma coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira.

Entidades de proteção infantil vêm alertando para a situação das crianças isoladas no acampamento de migrantes de Calais. No total, a Defensoria das Crianças da França afirma que 326 menores de idade vivem no acampamento em condições precárias, dos quais 80% têm entre 15 e 18 anos.

Muitos deles não têm familiares no acampamento e foram integrados em grupos de migrantes. Tratam-se de menores cujos parentes morreram ou que foram enviados sozinhos pelas famílias para a Europa para tentar um futuro melhor.

Segundo uma fonte do governo francês, Hollande e Cameron teriam concordado em agir para solucionar a situação, mas a informação ainda não foi divulgada oficialmente. O premiê britânico disse que aceita receber somente as crianças e adolescentes que têm família no Reino Unido, como estabelece o acordo de Dublin III. "Calais não é uma sala de espera para ir ao Reino Unido", advertiu Cameron.

Celebridades se mobilizam pelos menores de idade de Calais

A situação dos jovens de Calais vêm mobilizando a opinião pública internacional. Em fevereiro, dezenas de artistas, escritores e esportistas britânicos divulgaram uma carta aberta na qual pedem que Cameron acolha os migrantes menores de idade que têm parentes no país. Entre os 150 participantes do movimento, estão os atores Jude Law, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Helena Bonham Carter, Gillian Anderson, entre outras dezenas de celebridades.

No final de janeiro, a justiça britânica autorizou quatro sírios que viviam na chamada "Selva de Calais" - três adolescentes e um adulto com deficiência -, a reencontrar suas famílias na Inglaterra. No entanto, para descartar que a situação pudesse se repetir com outros migrantes, Londres ressaltou que o caso foi "excepcional".

O ator Jude Law contou que visitou os dois acampamentos de migrantes no norte da França e ficou horrorizado com a situação das crianças vivendo em "condições desesperadoras". "Um menino me agarrou e implorou para que eu o ajudasse, dizendo que a Selva de Calais não é um bom lugar e que ele não queria ficar ali", contou ao jornal britânico The Guardian.

Reino Unido vai aumentar ajuda para crise dos migrantes

O secretário de Estado francês para assuntos europeus, Harlem Désir, declarou nesta quinta-feira à RFI que Londres vai aumentar em mais de € 20 milhões sua ajuda para gestão da crise dos migrantes de Calais. Atualmente, o governo britânico contribui com € 60 milhões para melhorar a segurança no acesso ao túnel sob o Canal da Mancha, a luta contra os traficantes de pessoas e para o financiamento dos centros de acolhimento dos refugiados.

Enquanto isso, as autoridades francesas continuam o desmantelamento da parte sul da chamada "Selva de Calais". No local, entre 800 e mil migrantes vivem em situação irregular e em condições insalubres. Em todo o acampamento, estima-se que o número de pessoas morando no local seja entre 3,7 mil e 7 mil, principalmente sírios, afegãos e sudaneses.

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